EM CONSTRUÇÃO

Entrevista

Registar para reduzir os resíduosNews image

Muitos utilizadores ainda tratam os resíduos de equipamentos eléctricos e electrónicos como lixo urbano ou contam com os serviços das autarquias para se desfazerem dos mesmos. Os municípios têm aqui, por isso, um papel fundamental de articulação com as entidades gestoras, defende Rui Cabral, Director-Geral da Associação Nacional para o...


Tema Especial

Criado Instituto para gerir território

Assume-se como um action tank, tem respostas e pretende criar soluções que permitam ao país defender melhor os seus recursos. A primeira rede portuguesa para o desenvolvimento do território foi lançada dia 23 de Janeiro, numa cerimónia presidida pelo Primeiro-Ministro, Pedro Passos Coelho.“O país tem problemas de organização territorial que...


Destaque

Green Project Awards 2011: Os melhores projectos de sustentabilidade em Portugal

Os vencedores desta quarta edição dos Green Project Awards, uma iniciativa da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), Quercus e GCI, são os projectos Consumo Consciente, Respeita o Ambiente, CorkSorb, e BioCombus. Os galardoados foram conhecidos ontem à tarde numa cerimónia que decorreu na Culturgest, presidida por Assunção Cristas, Ministra da Agricultura,...


Artigo de Opinião

EM BREVE...

Neste espaço vamos ter novas ideias e reflexões sobre o estado do Ambiente...


Plano Nacional de Gestão de Resíduos traça objectivos estratégicos nacionais para 2020

Preservar os recursos naturais e minimizar os impactos negativos sobre a saúde pública e o ambiente. Estes são os objectivos do Plano Nacional de Gestão de Resíduos 2011-2020, que define a estratégia orientadora da política nacional para a gestão sustentável dos resíduos.

O Plano Nacional de Gestão de Resíduos (PNGR 2011-2020) assume-se como “a formalização de uma estratégia orientadora e abrangente que garanta uma política nacional de resíduos, através da qual será possível a gestão sustentável de resíduos no nosso País, indo ao encontro de uma das quatro áreas prioritárias da União Europeia (UE), a par dos recursos naturais, alterações climáticas, natureza e biodiversidade e saúde e qualidade de vida (Decisão n.º 1600/2002/CE)”.

O Governo delegou a missão de assegurar a formulação do PNGR 2011-2020 à Agência Portuguesa do Ambiente (APA), enquanto Autoridade Nacional de Resíduos. No 4º Fórum Nacional de Resíduos, que teve lugar no passado mês de Abril, a subdirectora da APA, Luísa Pinheiro, alertou: “Portugal ainda não está na média dos restantes países da UE relativamente aos resíduos”. No entanto, afirmou a responsável, “esta situação irá inverter-se. Queremos diminuir a deposição em aterro. Temos metas comunitárias para alcançar e cujos prazos previstos determinaram a utilização da prorrogação”.

Metas estratégicas e objectivos operacionais para 2020
O PNGR 2011-2020 propõe três metas a alcançar para a promoção da eficiência da utilização de recursos naturais na economia, nomeadamente:

  • dissociar o crescimento económico do consumo de materiais (devemos atingir os 0,93 €/t em 2020);
  • dissociar o crescimento económico da produção de resíduos (0,13 t de resíduo produzido/k€ de riqueza gerada é o objectivo para 2020);
  • e aumentar a integração de resíduos na economia (espera-se que, em 2020, 70% do total de resíduos produzidos em Portugal sejam preparados para reutilização e reciclados).

São também três as metas a alcançar para a prevenção ou redução dos impactos adversos decorrentes da produção e gestão de resíduos:

  • reduzir a produção de resíduos (diminuição absoluta de 20% da quantidade de resíduos produzidos no nosso país para 2020, face a 2009 – 28,8 Mt);
  • reduzir a quantidade de resíduos eliminados (redução em 62% na quantidade de resíduos eliminados para 2020, face a 2009 – 15,2 Mt);
  • e reduzir a emissão de gases com efeito de estufa do sector dos resíduos (a meta estabelecida para o sector de gestão de resíduos pelo Comité Executivo da Comissão para as Alterações Climáticas é de 5,68 Mt de CO2, em 2020).

Estas metas apontam o caminho ‘para onde queremos ir’, como refere o documento em consulta, sendo que nove objectivos operacionais, alcançáveis através da concretização de acções definidas para cada um desses objectivos, indicam “como poderemos lá chegar”. Para 2020, os objectivos são:

  • prevenir a produção de resíduos; promover o fecho dos ciclos dos materiais e o aproveitamento da energia em cascata;
  • consolidar e optimizar a rede de gestão de resíduos;
  • gerir e recuperar os passivos ambientais; fomentar a cidadania ambiental e o desempenho dos agentes;
  • promover a formação e qualificação dos agentes;
  • fomentar o conhecimento do sector numa lógica de ciclo de vida;
  • adequar e agilizar os processos administrativos;
  • e adequar e potenciar o uso de instrumentos económicos e financeiros

Quercus apela à fiscalização, Associação Nacional de Municípios à reestruturação
No que respeita ao objectivo de adequar e potenciar o uso de instrumentos económicos e financeiros, uma das acções propostas pelo PNGR 2011-2020 é a Taxa de Gestão de Resíduos (TGR), assentando no princípio do poluidor-pagador. Rui Berkemeier, do Centro de Informação de Resíduos da Quercus, defende a criação de uma carteira de peritos qualificados para a certificação de processos a nível da gestão de resíduos. Berkemeier concorda com a falta de fiscalização identificada pela análise SWOT levada a cabo durante o processo de formalização do PNGR 2011-2020, e alerta para o facto de ser esse um dos motivos para muitas das práticas ilegais de gestão dos resíduos que se verificam.

A Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP) ainda não se pronunciou oficialmente sobre esta proposta de PNGR para os próximos anos. No entanto, aquando do seu último Congresso, entre 7 e 9 de Julho, em Coimbra, defendeu que o sector dos resíduos e das águas deve ser reestruturado, reconhecendo a necessidade de melhorar a eficiência da administração pública. Esta entidade comprometeu-se, ainda, durante o seu Congresso, a dar início a um processo de reestruturação dos sectores das águas e dos resíduos.

Factos & Números*

- Na União Europeia foram produzidas cerca de 2 652 Mt de resíduos, em 2008.

- 51,7% dos resíduos respeitantes ao ano de 2008, na UE, foram eliminados em aterro ou por eliminação em terra ou descarga em aquíferos, 1,8% dos resíduos foram incinerados e 46,5% valorizados.

- Portugal, no mesmo ano, produziu  5,1 Mt de resíduos urbanos e equiparados e 31,6 Mt de resíduos não urbanos, ou seja, aproximadamente 1,4% de produção de resíduos da UE. Destes, 45,4% foram depositados em aterro, 7,1% sujeitos a outras operações de eliminação, 5,8% valorizados energeticamente e 41,7% sujeitos a outras operações de valorização, o que inclui, por exemplo, a reciclagem e a valorização orgânica.

- Em 2009, foram produzidas no nosso país 5,2 Mt de resíduos urbanos e equiparados e 23,7 Mt de resíduos não urbanos. Apenas 38% dos resíduos urbanos e equiparados foram sujeitos a valorização, tendo os restantes resíduos produzidos sido colocados em aterro.

- O sector de gestão de resíduos é responsável por uma fracção importante dos gases com efeito de estufa emitidos a nível nacional: 10,1% em 2008.

*Dados apresentados na proposta de PNGR para 2011-2020.


Saiba mais em: http://www.apambiente.pt/politicasambiente/Residuos/planeamentoresiduos/Paginas/default.aspx

 

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