EM CONSTRUÇÃO

Entrevista

Registar para reduzir os resíduosNews image

Muitos utilizadores ainda tratam os resíduos de equipamentos eléctricos e electrónicos como lixo urbano ou contam com os serviços das autarquias para se desfazerem dos mesmos. Os municípios têm aqui, por isso, um papel fundamental de articulação com as entidades gestoras, defende Rui Cabral, Director-Geral da Associação Nacional para o...


Tema Especial

Criado Instituto para gerir território

Assume-se como um action tank, tem respostas e pretende criar soluções que permitam ao país defender melhor os seus recursos. A primeira rede portuguesa para o desenvolvimento do território foi lançada dia 23 de Janeiro, numa cerimónia presidida pelo Primeiro-Ministro, Pedro Passos Coelho.“O país tem problemas de organização territorial que...


Destaque

Green Project Awards 2011: Os melhores projectos de sustentabilidade em Portugal

Os vencedores desta quarta edição dos Green Project Awards, uma iniciativa da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), Quercus e GCI, são os projectos Consumo Consciente, Respeita o Ambiente, CorkSorb, e BioCombus. Os galardoados foram conhecidos ontem à tarde numa cerimónia que decorreu na Culturgest, presidida por Assunção Cristas, Ministra da Agricultura,...


Artigo de Opinião

EM BREVE...

Neste espaço vamos ter novas ideias e reflexões sobre o estado do Ambiente...


Edifícios Sustentáveis em Cidades Inteligentes - Soluções made in Portugal

Quarenta por cento da energia mundial é consumida nas cidades. A somar às estimativas que apontam que até 2050 existirão 400 megacidades (superior a 10 milhões de habitantes), está localizado o problema: urbano. Por cá, quase um terço da energia final é consumido nos edifícios, razão mais que válida para justificar uma conferência com um painel dedicado a Portugal propondo “soluções inovadoras e orientadas para potenciar a eficiência nos edifícios, enquanto parte fundamental da cidade”.

No espaço de três meses a ADENE promoveu duas conferências sobre "Edifícios Sustentáveis em Cidades Inteligentes". A primeira, em parceria com o Ministério da Economia, no Centro de Negócios do Pavilhão de Portugal, foi realizada no âmbito da presença portuguesa na Expo 2010 Shanghai, na China e revelou bem a aposta das empresas portuguesas em inovação nas soluções e materiais de construção e o seu contributo para a eficiência energética.
Com a realização do Salão Imobiliário de Portugal (SIL), em Outubro, surge uma nova oportunidade de mostrar que, “em Portugal existem soluções inovadoras e orientadas para potenciar a eficiência nos edifícios, enquanto parte fundamental da cidade”, defende Alexandre Fernandes, director-geral da ADENE. A testemunhá-lo, a conferência destacou quatro projectos: “Edifícios Sustentáveis: Soluções Inovadoras nas Natura Towers”; “A cortiça em Edifícios Sustentáveis”; “Solar Tiles: O futuro da microgeração no revestimento de edifícios”; e “Inovcity em Portugal: Como criar uma Smart City”.

Estudos de Mercado sobre Certificação Energética nas cidades

A directiva da União Europeia (Directiva 2010/31/EU) é clara nos objectivos estipulados: entre eles, os novos edifícios têm de tender para energia zero e é obrigatório indicar a classe energética na publicidade de venda ou arrendamento, recordou Alexandre Fernandes durante a conferência.
Em Portugal, a legislação que obriga à certificação energética de todos os edifícios de serviços ou habitação entrou em vigor a 1 de Janeiro de 2009. O certificado é, segundo sublinhou Alexandre Fernandes, um instrumento de informação sobre o desempenho energético dos imóveis e assenta em três grandes itens de eficiência: aquecimento de águas, áreas de isolamento, energia solar. Mas para os proprietários, destaca o director-geral da ADENE, pode/deve ainda ser encarado como uma ferramenta, com oportunidades identificadas, para poupar energia. Precisamente com o intuito de dar a conhecer o impacto e a receptividade da certificação nas cidades, a ADENE apresentou um estudo de mercado que promoveu no início de 2010. Com base em cerca de 1600 entrevistas realizadas em 25 centros urbanos, este estudo concluiu que a maioria dos consumidores dos edifícios conhece o processo de certificação (69%) e considera-o uma mais-valia: 59% respondeu que uma boa classe pode influenciar o preço da casa, calculando em 5% esta valorização. A ADENE pretendeu ainda saber quais das medidas sugeridas pela Comissão Europeia pensa o consumidor vir a implementar. Nesta pergunta com resposta múltipla, os resultados incidiram sobre: Vidros duplos/janelas térmicas – 65.8%; isolamento térmico das paredes ou cobertura – 58,1%; uso de energias renováveis (ex: energia solar, fotovoltaica, eólica) – 29,1%; Lâmpadas economizadoras – 24,8%; Caldeiras/esquentadores mais eficientes para aquecimento de águas – 15,4%; Electrodomésticos mais eficientes – 15,4%; Instalação/substituição do sistema de arrefecimento do ambiente – 8,5%. O investimento em medidas de melhoria tem, segundo o estudo de mercado, uma razão bem destacada: a valorização do imóvel. Este é também o principal motivo apontado pelo consumidor para fazer a certificação: valorizar o imóvel e melhorar o desempenho da habitação são as duas respostas mais assinaladas, ambas com 35% - realçou Alexandre Fernandes.
O trabalho de campo promovido pela ADENE mostra assim um consumidor sensibilizado para o tema dos edifícios sustentáveis. E a oferta de mercado revela alinhar cada vez mais o passo, a caminho das cidades inteligentes.

Soluções para poupar energia
100% verde, 100% cortiça

O Pavilhão de Portugal venceu o prémio de design da Expo 2010 Xangai pelas suas características arquitectónicas e pela relação com o tema da exposição: Melhores Cidades, Melhor Vida. O júri reconheceu o potencial energético e ambiental do produto que revestiu a fachada do edifício: a cortiça. Mas não vamos mais longe.
A cortiça é um produto nacional. Natural e renovável, apresenta benefícios a nível da biodiversidade, como sumidouro de aproximadamente cinco milhões de toneladas de CO2 por ano. O processo industrial envolvido na preparação do aglomerado é isento de aditivos e apresenta um baixo consumo energético, já que 90% é biomassa proveniente do processo. Na linha da sustentabilidade, Carlos Manuel Amorim, do Grupo Amorim Investimentos (que forneceu a cortiça para o Pavilhão de Portugal), destacou outras vantagens acrescidas durante a sua apresentação: “A cortiça em Edifícios Sustentáveis”. A cortiça revela uma excelente permeabilidade ao vapor da água (respira), é eficaz a nível de isolamento acústico e térmico, tem uma boa resistência ao fogo e é um material estável. Além de que beneficia de certificação para venda no mercado internacional. Carlos Manuel Amorim destaca ainda o papel da cortiça no combate à desertificação: ao proteger os solos contra a erosão e contribuir para a criação de certos microclimas, aumenta a qualidade de vida das populações, garantindo ainda postos de trabalho. Cem mil pessoas dependem actualmente da cortiça.

Produtos cerâmicos fotovoltaicos

A solução de sustentabilidade usada para aproveitar as energias renováveis faz de Solar Tires um projecto inovador a nível mundial. Aliando a eficiência da tecnologia fotovoltaica à estética da cerâmica, foram desenvolvidos produtos cerâmicos fotovoltaicos arquitectonicamente integrados para o revestimento e cobertura de edifícios (revestimento exteriores de fachada e telhas para coberturas), com a mesma finalidade dos tradicionais painéis solares: aproveitar a energia solar para produção de electricidade, segundo apresentou Paula Roque durante a temática “Solar Tiles: O futuro da microgeração no revestimento de edifícios”.
As fachadas fotovoltaicas vêm assim potenciar a microprodução, onde os consumidores domésticos ou empresariais podem produzir a sua própria energia, podendo gerir melhor os seus consumos e diminuir a factura energética. No âmbito da conferência “Edifícios sustentáveis em cidades inteligentes”, Paula Roque, da Revigrés, destacou o valor acrescentado deste projecto - que está em curso e combina revestimento, produção de energia e estética -, na construção sustentável.

Escritórios A+ 

Inspirado no funcionamento perfeito da natureza, as Natura Towers, um complexo de escritórios do Grupo MSF, em Telheiras, Lisboa, obteve a classificação de A+ no seu Certificado de Desempenho Energético e da Qualidade do Ar Interior, o que faz deste projecto o primeiro edifício de escritórios em Portugal com tal classificação. Durante a apresentação “Edifícios Sustentáveis: Soluções Inovadoras nas Natura Towers” foi abordada a estratégia deste projecto: combinar design e sustentabilidade, o que se materializa, entre outras particularidades, na utilização de painéis fotovoltaicos para iluminação dos núcleos centrais e espaços exteriores e painéis solares térmicos nas coberturas para aquecimento das águas das copas. Duas medidas que fazem sentido, especialmente no país da Europa com mais exposição solar, sublinhou a oradora e arquitecta Patrícia Arruda, do Grupo MSF. As Natura Towers integram ainda um sistema de ventilação da dupla fachada para climatização dos escritórios, com utilização da purga nocturna para redução energética de consumos em aquecimento e arrefecimento, bem como um revestimento vertical vegetal nas fachadas e espaços exteriores. Este revestimento, que segundo a arquitecta é alimentado por um sistema gota a gota e adapta espécies como a Laurissilva, permite um isolamento térmico e acústico.

Inteligência eléctrica

Adaptação é palavra-chave para António Vidigal, do projecto da EDP InovGrid. Segundo referiu no Salão Imobiliário de Portugal, durante a apresentação da temática “Inovcity em Portugal: Como criar uma Smart City”, é preciso adaptar os padrões de vida a uma maior sustentabilidade. E o InovGrid surge na sequência de um mundo mais eficiente: trata-se de um projecto que dota a rede eléctrica de informação e equipamentos inteligentes capazes de automatizar a gestão da energia, melhorando assim a qualidade do serviço e diminuindo os custos. Este sistema passa por uma microprodução mais eficaz e fácil de controlar, sendo que a fiabilidade e a eficiência aumentam com a automatação e controlo remoto. Os edifícios tendem a ser cada vez mais inteligentes: vamos poder controlar os electrodomésticos à distância e receber alertas por sms, como – ‘esqueceu-se das luzes acesas’. António Vidigal recorda que até 2050, três em cada quatro pessoas vão viver na cidade. E que se a grande fatia da energia é consumida nos centros urbanos, encontramo-nos então numa fase imobiliária. Está na altura de adaptar novos modelos de energia, para uma maior sustentabilidade e menor consumo de recursos.   


Fonte: Adene – Agência para a Energia


 

    


 


Actualizado em ( Terça, 21 Dezembro 2010 10:25 )
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