EM CONSTRUÇÃO

Entrevista

Registar para reduzir os resíduosNews image

Muitos utilizadores ainda tratam os resíduos de equipamentos eléctricos e electrónicos como lixo urbano ou contam com os serviços das autarquias para se desfazerem dos mesmos. Os municípios têm aqui, por isso, um papel fundamental de articulação com as entidades gestoras, defende Rui Cabral, Director-Geral da Associação Nacional para o...


Tema Especial

Criado Instituto para gerir território

Assume-se como um action tank, tem respostas e pretende criar soluções que permitam ao país defender melhor os seus recursos. A primeira rede portuguesa para o desenvolvimento do território foi lançada dia 23 de Janeiro, numa cerimónia presidida pelo Primeiro-Ministro, Pedro Passos Coelho.“O país tem problemas de organização territorial que...


Destaque

Green Project Awards 2011: Os melhores projectos de sustentabilidade em Portugal

Os vencedores desta quarta edição dos Green Project Awards, uma iniciativa da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), Quercus e GCI, são os projectos Consumo Consciente, Respeita o Ambiente, CorkSorb, e BioCombus. Os galardoados foram conhecidos ontem à tarde numa cerimónia que decorreu na Culturgest, presidida por Assunção Cristas, Ministra da Agricultura,...


Artigo de Opinião

EM BREVE...

Neste espaço vamos ter novas ideias e reflexões sobre o estado do Ambiente...


Cozinhas sustentáveis: A cozinha do futuro é… verde



 É maior, iluminada, acolhedora e energeticamente eficiente. A cozinha moderna reflecte um consumo sustentável e um consumidor mais consciente, apontam as tendências de mercado.

Comer bem e cuidar da saúde são os objectivos principais dos consumidores, de acordo com estudos recentes  que apontam que a escassez está na ordem do dia e influencia o futuro da cozinha. A escassez de alimentos, água e terra, bem como as alterações climáticas estão na base da extinção de muitos estilos de vida excessivos, sendo responsáveis pelo nascimento de outros, resultado de uma nova forma (colectiva) de encarar a vida e o que ela representa.
A cozinha tornou-se no novo coração da casa: o local onde se preparam e tomam as refeições é cada vez mais um ponto de encontro e de convívio para a família. Os designers e arquitectos estão atentos às tendências e reproduzem os espaços à medida das necessidades. O tamanho importa. E o conteúdo faz a diferença. Verde não é (apenas) uma cor para aplicar em azulejos ou painéis. Verde é a filosofia que marca a cozinha do futuro, da construção à confecção dos alimentos. É o que concluiu um estudo(*) com  base em cerca de 3.000 respostas de donas de casa inglesas e irlandesas. O relatório identifica as necessidades actuais das consumidoras: uma cozinha que combine tecnologia e natureza, na perspectiva de auto-eficiência. Ou seja, a tendência é combinar no mesmo espaço equipamentos que representem maiores poupanças energéticas (e económicas) através da certificação energética classe A, A+ ou A++, e a produção de alimentos orgânicos. O resultado do estudo apresenta a cozinha como a extensão de um jardim. Pequenos vasos de plantas e especiarias reintroduzidos pelos chefs para manter o conceito de fresco e natural reflectem também a nova ideia de auto-suficiência e sustentabilidade da própria cozinha. O consumo local, realmente local, é mais ecológico porque extingue distâncias e custos ambientais associados, e acaba por permitir também ao consumidor controlar a qualidade do produto. São as vantagens atribuídas ao Kitchen Nano, uma alternativa para se ter salsa e alecrim numa cozinha de apartamento, sem sujar as mãos de terra. Esta espécie de frigorífico desenvolvido recentemente pela Hyundai não só armazena alimentos como promove o seu crescimento. Sem fertilizantes nem pesticidas, recorre à hidroponia, uma técnica de cultivo de plantas sem solo. A quantidade de luz, água e nutrientes é controlável, o que nos permite decidir sobre a velocidade do crescimento. O Kitchen Nano funciona ainda como purificador de ar.

Medidas ECOnómicas
Os consumidores estão dispostos a pagar mais por soluções sustentáveis que apresentem um retorno do investimento na factura de água e luz, concluiu um estudo americano conduzido pela Associação Nacional de Proprietários durante o período de recessão, no início do ano 2010.
Em Portugal, a par de um investimento crescente em equipamentos com melhor eficiência energética, a preocupação ecológica também já se reflecte numa maior procura e valorização de torneiras operadas por sensores, lâmpadas accionadas por detectores de movimento, focos com LEDs em vez de halogéneos, painéis solares para o aquecimento de águas (obrigatórios em edifícios novos), ideias verdes que garantem reduções significativas nos consumos de água e electricidade, regista o arquitecto Pedro Andrade de Sousa, da Hexaplano. A escolha do isolamento térmico adequado evita por outro lado perdas de calor no Inverno e ganhos no Verão, reduzindo gastos com ar condicionado e aquecimento.
Quando se fala em luz, a natural é sempre a melhor opção ambiental e economicamente falando. Uma cozinha orientada a Nascente é por isso uma mais-valia. Mas com menos ou mais exposição solar, a revolução energética faz-se todos os dias: Sem estar a trabalhar, uma máquina de café, por exemplo, gasta 4 watts, .

Materiais e qualidade do ar
De um lado, materiais de baixo impacto ambiental, não poluentes e atóxicos. Do outro, materiais que contribuem para aquele que é conhecido como o Síndroma dos Edifícios Doentes, dado os compostos orgânicos voláteis (COVs) que, entre substâncias cancerígenas, afectam a qualidade do ar interior, alerta o Laboratório da Qualidade do Ar Interior.
O ambiente e a saúde votam nos primeiros. E os construtores também estão mais sensíveis aos materiais ‘verdes’ que previnem e reduzem alergias, nomeadamente em crianças, mais expostas aos químicos.
No momento da construção, da remodelação e decoração, o critério sustentável tem vindo a ganhar terreno na cozinha. O bambu, nomeadamente, não só está isento de formaldeído, um gás tóxico comum em alguns materiais, como é uma alternativa renovável, cresce rapidamente e evita o corte indevido de árvores. As madeiras de reflorestamento também integram a lista de boas opções, onde reciclado é palavra-chave.
Este ano, na 26º edição da Casa Cor São Paulo 2010, sob o tema “sua casa, sua vida, mais sustentável e feliz”, o gabinete de arquitetura Whydesign apresentou uma cozinha funcional à base de ideias recicladas. “Atentos às transformações, necessidades e exigências do homem na actualidade”, este grupo de professores arquitectos propõe “espaços que nos façam reflectir, questionar, emocionar”, referem no seu blogue http://whydesignbr.blogspot.com. Neste evento, o objectivo era estimular atitudes sustentáveis, mesmo em ambientes modernos, minimizando o impacto ambiental. Durante dois meses de pesquisa, a equipa recolheu móveis, objectos e materiais na cidade e fez compras em lojas de usados. A criatividade acabou por transformar velho em novo, imprimindo charme através de pormenores como a grande bancada de cozinha, uma complexa colagem de oito tampos de granito abandonados em depósitos, e cuja irregularidade das peças deu estilo ao ambiente.  Vidro reciclado e resina de baixo COV é mais um exemplo estético e ambiental. Pedra, metal e outros materiais usados no seu estado bruto também não libertam gases para a atmosfera e tendem a ser menos dispendiosos. A escolha das tintas obedece ao mesmo cuidado: tintas biológicas, à base de água, em vez de tintas com solventes, para diminuir as emissões de gases tóxicos. Passo a passo, nasce uma cozinha simples, criativa e sustentável.

(*) pesquisa desenvolvida em Junho deste ano pela IKEA


Benefícios fiscais “premeiam” eficiência energética
Como forma de incentivar o cumprimento das normas europeias para a eficiência energética foram introduzidos alguns benefícios fiscais para quem dispõe de casas energeticamente mais eficientes. No fundo, trata-se de premiar as boas práticas de construção e qualidade dos imóveis.

Edifícios que sejam certificados nas categorias A ou A+, dão a possibilidade de elevar os montantes de dedução à colecta de IRS nos parâmetros “Juros e amortizações de dívidas” ou “Juros e amortizações de dívidas permanentes contraídas com a aquisição, construção ou beneficiação de imóveis para habitação própria e permanente”.
Em termos do Imposto Municipal sobre Imóveis (IMI), existem autarquias que por sua iniciativa e devidamente autorizadas para tal, premeiam a eficiência energética dos edifícios que pertencem à sua área geográfica através de reduções no valor do imposto a pagar.

 

 


Actualizado em ( Segunda, 27 Setembro 2010 09:20 )
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