EM CONSTRUÇÃO

Entrevista

Registar para reduzir os resíduosNews image

Muitos utilizadores ainda tratam os resíduos de equipamentos eléctricos e electrónicos como lixo urbano ou contam com os serviços das autarquias para se desfazerem dos mesmos. Os municípios têm aqui, por isso, um papel fundamental de articulação com as entidades gestoras, defende Rui Cabral, Director-Geral da Associação Nacional para o...


Tema Especial

Responsabilidade Social Corporativa: Empresas integram preocupações ambientais

Ser socialmente responsável não se restringe ao cumprimento de todas as obrigações legais. Segundo o Livro Verde da Comissão Europeia, publicado em 2001, Responsabilidade Social Corporativa (RSC) “é um conceito segundo o qual as empresas decidem, numa base voluntária, contribuir para uma sociedade mais justa e para um ambiente mais...


Destaque

Green Project Awards 2011: Os melhores projectos de sustentabilidade em Portugal

Os vencedores desta quarta edição dos Green Project Awards, uma iniciativa da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), Quercus e GCI, são os projectos Consumo Consciente, Respeita o Ambiente, CorkSorb, e BioCombus. Os galardoados foram conhecidos ontem à tarde numa cerimónia que decorreu na Culturgest, presidida por Assunção Cristas, Ministra da Agricultura,...


Artigo de Opinião

EM BREVE...

Neste espaço vamos ter novas ideias e reflexões sobre o estado do Ambiente...


Biodiversidade: vital para o bem-estar da humanidade


A diversidade biológica representa a saúde da Terra e constitui a base para a vida e a prosperidade da humanidade. Contudo, está a diminuir a um ritmo alarmante por todo o mundo. Para combater este fenómeno, 2010 foi declarado pela ONU o Ano Internacional da Biodiversidade, como celebração da vida na Terra e do valor da biodiversidade para a vida humana. É também um convite à esperança de que mundialmente se enraíze esta consciência e se desenvolvam acções com ela condicentes.

O Ano Internacional da Biodiversidade foi lançado oficialmente pela Presidência da nona reunião da Conferência das Partes da Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB), no Museu de História Natural de Berlim. Na presença de mais de 400 participantes a chanceler alemã, Dra. Angela Merkel, exortou o mundo a tomar as medidas necessárias para proteger a diversidade biológica da Terra.
O lançamento oficial decorreu a 11 de Janeiro, dia em que a Agência Europeia do Ambiente lançou a primeira de 10 mensagens comemorativas, designada por Alterações Climáticas e Biodiversidade: “A variedade da vida sustenta o nosso bem-estar social e económico e será cada vez mais um recurso indispensável na luta contra as alterações climáticas.  No entanto, os nossos padrões de consumo e de produção estão a privar os ecossistemas da sua capacidade de resistir às mudanças do clima e prestar as suas funções, de que tanto precisamos. À medida que se entende mais sobre as repercussões das alterações climáticas sobre a biodiversidade, torna-se claro que não podemos resolver as duas crises
separadamente. A sua interdependência obriga-nos a enfrentá-los em conjunto.”
Os últimos 100 anos demonstram que a humanidade tem reagido muito pouco e muito tardiamente perante sérias ameaças como: CFC, chuva ácida, declínio da pesca, contaminação dos Grandes Lagos e a alterações climáticas. Como consequência, a biodiversidade está em declínio, os ecossistemas estão a ser continuamente degradados e o ser humano, por sua vez, está a sofrer as consequências.
Este ano internacional marca a avaliação das medidas para reduzir a taxa de perda de biodiversidade global, de acordo com o Joanesburgo (2002). Paralelamente, 2010 é a meta para as negociações do regime internacional em recursos energéticos e para a concepção de um Plano Estratégico renovado para a CDB. Este é um desafio complexo, mas que deve ser perseguido.  Segundo dados da OCDE, a atribuição de apenas 1% do PIB global até 2030 pode atingir significativas melhorias na qualidade do ar, da água e da saúde humana: “podemos chamar-lhe o custo do seguro" (OCDE 2008).
Num contexto em que o bem-estar da humanidade é totalmente dependente do fluxo contínuo dos "serviços ambientais", que constituem predominantemente bens públicos sem mercado e preço, sendo, por isso, raramente detectados pelos indicadores económicos actuais, a sociedade actual enfrenta dois grandes desafios: a aprendizagem da “natureza do valor” e a descoberta do “valor da natureza”. O primeiro pretende ampliar o conceito de "capital", de modo a incluir os capitais humano, social e natural; o segundo refere-se ao reconhecimento do valor da natureza, que, mesmo sendo fonte de vida todos os dias, é ignorado pela maioria, pelos mercados, pelos preços, pela avaliação, como defende Stavros Dimas, Delegado da Comissão Europeia do Ambiente, 2008.
Urgem medidas para reverter a destruição e a fragmentação dos habitats, a sobre-exploração de espécies e a invasão de espécies introduzidas. Um pouco por todo o mundo surgem iniciativas como exposições, conferências, workshops, publicações temáticas e concursos educativos, para proporcionar ao grande público a tomada de consciência das principais ameaças aos ecossistemas, aguardando-se a sua repercussão nas opções de consumo das sociedades.
Apenas um mês decorrido após o seu lançamento oficial, a página do Facebook do International Year of Biodiversity (IYB) atingiu 17.400 “fãs”. Por esta razão a edição de Janeiro da revista francesa “Science et Avenir” aponta esta acção como o segundo entre os dez eventos mais importantes para celebração do IYB.
A WWF, organização global de conservação da natureza, e o Banco BES lançaram em Janeiro um novo cartão de crédito que pretende dar continuidade à missão e actividade da WWF em Portugal, garantindo que sempre que o titular utilizar o cartão, 0,5% da transacção reverterá a favor dos projectos da organização no nosso país, tal como o valor da anuidade, de 35 euros. Defendendo que “o maior legado que temos e que podemos deixar de herança aos nossos filhos é um Planeta Vivo”, a WWF publicou a sua lista das 10 espécies mundiais mais ameaçadas em 2010, três delas com residência em Portugal: Lince Ibérico, Águia Imperial e Atum-Rabilho.

Lince Ibérico: o felino mais ameaçado do mundo
O Lince Ibérico, ocupando apenas áreas de Portugal e Espanha, é o carnívoro mais ameaçado na Europa e o felino mais ameaçado no Mundo, tendo sido classificado pela União Internacional de Conservação da Natureza como criticamente ameaçado. “Actualmente só está confirmada a existência de duas populações reprodutoras, Doñana e Andujár-Cardeña no extremo Oriental da Serra Morena, e o último censo indica que os efectivos totais se situarão abaixo dos 150 indivíduos adultos. Estas duas populações estão isoladas entre si, o que as torna ainda mais vulneráveis. Os efectivos actuais não são suficientes para a sua sobrevivência a longo prazo e os especialistas concordam que se encontra no limiar da extinção.”, citando a WWF.
Em Portugal os territórios de distribuição histórica da espécie são os Sítio de Rede Natura de Monchique, do Caldeirão e de Moura/Barrancos e os Parques Naturais do Vale do Guadiana e da Serra da Malcata.
A destruição de habitats por incêndios florestais, a escassez de alimento por surtos de doenças nas espécies presa, ou uma combinação de ambos por efeito da desertificação, são as causas de vulnerabilidade apontadas pela organização, que destaca a gestão sustentável das actividades agro-florestais e a cinegética e o restauro do habitat da espécie como objectivos prioritários para viabilizar a conservação do Lince Ibérico em território nacional.

Águia Imperial: a rapina mais rara de Portugal
A Águia Imperial é uma ave exclusiva do Mediterrâneo ocidental e uma das rapinas mais raras do mundo. Nidifica em montados, sobreirais e azinhais com áreas abertas de pastagem ou de cultura de cereais e manchas de mato, onde pode capturar as suas presas, nomeadamente o coelho-bravo. A diminuição das populações de coelho-bravo, sobretudo devido a doenças, assim como a fragmentação do seu habitat preferencial – os montados e bosques de sobreiro e azinheira – constituem as suas principais ameaças.
A WWF tem desenvolvido acções que possibilitaram que os 100 casais sinalizados em 1995 se reproduzissem até 230 em 2007, estimando-se actualmente uma população portuguesa de 2 a 5 casais. Apresentou, também, ao Governo uma petição para instaurar o Dia da Águia, como forma de sensibilizar para a protecção dos montados e das espécies que dele dependem.

Atum-Rabilho do Atlântico
O Atum-Rabilho é um peixe migratório que se distribui pela costa Leste e Oeste do Atlântico e se reproduz no Mar Mediterrâneo. Segundo a WWF, as práticas de captura desregradas estão a conduzir esta espécie ao colapso, pelo que defende a proibição temporária da captura do Atum-Rabilho no Atlântico e no Mar Mediterrâneo, bem como da comercialização internacional desta espécie. A WWF lançou o apelo aos restaurantes, comerciantes e consumidores para deixarem de comprar, vender e consumir o Atum-Rabilho até que este mostre sinais de recuperação.

Os múltiplos valores dos recifes de coral
Os recifes de coral são os ecossistemas mais ricos em biodiversidade (em espécie por unidade de área) no mundo, ainda mais do que as florestas tropicais. No entanto, a sua saúde e resiliência estão em declínio devido à pesca excessiva, poluição, doenças e alterações climáticas.
Os recifes do Caribe sofreram reduções de 80% em três décadas. Como resultado directo, as receitas do turismo relacionado com a prática de mergulho (cerca de 20% da receita total turismo) diminuíram mais do dobro em relação ao impacto causado pelo declínio das pescas (UNEP 2008).
A principal explicação para esta situação reside na sobre-exploração piscatória de herbívoros, resultando no domínio das algas sobre o coral, que o cobrem quase inteiramente. Este constitui um exemplo extremo do valor do seguro da biodiversidade, ilustrando a vulnerabilidade de um sistema face a uma única espécie.

Haiti: “Circulo vicioso” da pobreza e degradação ambiental
O Haiti é o país mais pobre do Ocidente e um dos mais ambientalmente degradados. Quase todo o país era originalmente florestado, mas actualmente há menos de 3% de cobertura. Como consequência, desde 1950 a quantidade de terra arável tem vindo a diminuir mais do que dois quintos devido à erosão do solo. Simultaneamente, a desflorestação reduziu a devolução de vapor de água à atmosfera sobre o Haiti, e a precipitação total em diversas localidades diminuiu até 40%, reduzindo a sua capacidade de irrigação. Quando chove, as encostas já não conseguem funcionar como filtro de água, resultando por vezes em inundações devastadoras.  Paralelamente, o solo e o fluxo de águas estão carregados de sedimentos e poluentes que degradam o estuário e os ecossistemas costeiros. Como consequência, cerca de 90% crianças haitianas estão cronicamente infectadas com parasitas intestinais que adquirem através da água que bebem (dados anteriores ao terramoto). O Haiti é um exemplo gritante do "círculo vicioso" da extrema pobreza e da degradação ambiental. A luta contra a pobreza extrema deve ser uma estratégia central para restaurar a floresta do Haiti e da biodiversidade.

Fontes de informação:
- “Report on Global Celebrations of the International Year of Biodiversity”, January-February 2010
- “The Economics of Ecosystems & Biodiversity”, European Communities, 2008
- http://www.wwf.org/
- http://www.eea.europa.eu/pt

 


Actualizado em ( Quarta, 03 Março 2010 12:23 )
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