
Do ponto de vista ambiental, os veículos eléctricos oferecem vantagens garantidas, dado o elevado nível de eficiência energética, o maior controlo ambiental associado à fonte energética utilizada, a maior integração de fontes de energias renováveis no sector dos transportes, assim como o contributo para a melhoria da qualidade de vida nos aglomerados urbanos.
Os recentes avanços tecnológicos, em grande parte fomentados pelas políticas de desenvolvimento sustentável, em particular pelos compromissos e medidas internacionais para a redução das emissões de gases de efeito estufa, com vista à diminuição do impacto ambiental do sector dos transportes, ressuscitou o interesse pelos veículos eléctricos rodoviários.
Como alternativa imediata e intermédia aparecem os veículos híbridos, que permitem uma substituição faseada do parque automóvel, na medida em que reduzem o consumo de gasolina sem grandes necessidades de adaptações, garantindo o aumento da eficiência no que diz respeito à gasolina gasta por quilómetro percorrido.
Avizinha-se, assim, a era da mobilidade eléctrica limpa, embora ainda como uma ambiciosa solução para um problema com diversas variáveis, tais como combustível, armazenamento, autonomia, velocidade, benefícios fiscais, inércia legal, economia de escala, sensibilização dos consumidores, entre outros.
No âmbito da execução do Plano Nacional de Acção para a Eficiência Energética, aprovado pela Resolução do Conselho de Ministros n.º 80/2008 de 20 de Maio, o Governo pretende posicionar o País como pioneiro na adopção de novos modelos para a mobilidade sustentável, que explorem a relação com a rede eléctrica e maximizem as vantagens da energia eléctrica produzida a partir de fontes renováveis. Será assim possível a sua integração mais harmoniosa no ritmo de funcionamento e desenvolvimento das cidades.
O Programa para a Mobilidade Eléctrica em Portugal, aprovado pela Resolução do Conselho de Ministros n.º 20/2009, preconiza a massificação do veículo eléctrico através do desenvolvimento de um modelo de serviço que permita, a qualquer cidadão ou entidade, a utilização de veículos eléctricos em condições de competitividade e de conforto face ao automóvel convencional. Recomenda ainda soluções de mobilidade proporcionadas pelos vários construtores de veículos eléctricos, bem como o estabelecimento de infra-estruturas de carregamento adequadas à evolução do parque de veículos eléctricos em todo o território nacional.
Dada a abrangência tanto dos pré-requisitos como das previsíveis repercussões da evolução dos veículos rumo à sustentabilidade, o carro eléctrico impõe-se, sobretudo, pela oportunidade que representa em termos de reformulação da rede energética - com as consequentes reduções do consumo de petróleo, das emissões gasosas poluentes, e, espera-se, da dependência energética nacional - e da melhoria da qualidade de vida nas cidades - seja pela redefinição dos padrões de condução, seja pela redução significativa dos níveis de poluição sonora e atmosférica.
Neste contexto, os veículos eléctricos potenciam as Energias Renováveis, ao permitirem o armazenamento da energia excedente produzida durante a noite, bem como a sua posterior creditação na rede nos períodos de maior consumo, contribuindo desta forma para o aumento da eficiência do sistema eléctrico nacional.
Não será, portanto, necessário iniciar a tributação aos consumidores pelas emissões de CO2 dos seus carros convencionais para se evidenciarem as vantagens e a viabilidade do comércio de veículos economizadores de gasolina.
Do ponto de vista ambiental, os veículos eléctricos oferecem vantagens garantidas, dado o elevado nível de eficiência energética, o maior controlo ambiental associado à fonte energética utilizada, a maior integração de fontes de energias renováveis no sector dos transportes, assim como o contributo para a melhoria da qualidade de vida nos aglomerados urbanos.
Carro Eléctricos, Sim! Mas Como?
Se a esta altura é já claro que o “combustível" dos veículos eléctricos custa muito menos por quilómetro do que a gasolina, numa análise rigorosa há, no entanto, que incluir o custo da reposição das baterias. Actualmente, este pode ser apontado como o ponto fraco dos carros eléctricos, existindo, contudo, uma alternativa económica e ambientalmente competitiva, depois de ultrapassadas determinadas questões técnicas, que consiste nas pilhas de combustível.
Genericamente, os veículos classificam-se em eléctricos, híbridos ou de combustão interna, em função da tecnologia de propulsão usada pelo respectivo motor. Os carros puramente eléctricos têm um único motor, movido a electricidade, e possuem baterias para armazenamento dessa energia, dividindo-se em três tipos: a bateria, a pilha de combustível e de alimentação directa.
Os veículos eléctricos a bateria consistem basicamente em viaturas equipadas com um conjunto de baterias, que tem de ser carregado com energia da rede eléctrica. Essa energia é fornecida a um motor eléctrico, cuja função é transformá-la em energia mecânica. Estas viaturas atingem velocidades da ordem dos 100 km/h, rondando a sua autonomia os 80 km; nas condições actuais, ajustam-se a deslocações nos centros das cidades.
Já os veículos a pilha de combustível funcionam a hidrogénio e produzem a electricidade de que necessitam para fazer mover o veículo, com emissão apenas de vapor de água. Estas pilhas consistem em sistemas electroquímicos que convertem a energia da reacção entre o hidrogénio e oxigénio directamente em energia eléctrica, libertando vapor de água e calor. Funcionam como as baterias primárias (não recarregáveis), mas tanto o combustível como o oxidante têm de ser armazenados externamente e constantemente fornecidos para que a pilha continue a operar.
O hidrogénio pode tornar-se o “combustível” do futuro para os veículos eléctricos, ou pelo menos uma solução a integrar com outras igualmente interessantes. Existem, no entanto, diversos problemas de ordem técnica a resolver:
- A produção de hidrogénio, que consome energia eléctrica cuja produção requer investimentos nas renováveis;
- O armazenamento do hidrogénio, que exige temperaturas de –250 ºC ou elevada pressão, de modo a garantir hidrogénio liquefeito;
- A distribuição do hidrogénio, pois não existem bombas de hidrogénio em quantidade suficiente, nem mesmo um modelo standard.
Os protótipos de veículos a pilhas de combustível sucedem-se por todo o mundo, desde frotas piloto para empresas públicas e privadas, a autocarros. O obstáculo tem sido o combustível inicial apara a produção de hidrogénio, que não pode basear-se nos combustíveis fósseis.
Recentemente, tem vindo a ser testado o desempenho do hidrogénio nos motores de combustão interna, integralmente ou em misturas com gás natural comprimido, verificando-se a diminuição das emissões, o aumento da durabilidade e da eficiência do motor, para além da eliminação dos consumos para aquecimento.
Relativamente aos veículos eléctricos de alimentação directa, caracterizados pela alimentação directa do motor eléctrico sem recurso a um combustível nem à acumulação de energia no veículo, tem sido alvo de interesse a sua utilização em troleicarros, nos eléctricos, nos metros e nos comboios.
Mobi-E: A rede nacional de carregamento para veículos eléctricos
A mobilidade eléctrica exige a coordenação entre a instalação e operação da rede nacional, o serviço de carregamento de baterias e a comercialização de electricidade limpa para a mobilidade eléctrica, para além da prestação de outros serviços necessários.
Esta rede tem um âmbito experimental, procurando validar soluções tecnológicas, de serviço e de negócio, de modo a despertar o interesse de construtores para teste de veículos, diferentes motorizações, meios de armazenamento e carregamento de energia. Estas soluções deverão garantir o acesso a múltiplos comerciantes de electricidade para a mobilidade eléctrica.
O papel das autarquias na promoção da instalação e do progressivo crescimento da infra-estrutura na sua área de influência, a integrar com a rede dos municípios vizinhos, é decisivo.
O protocolo entre o Governo e os 25 municípios da Mobi-E, assinado em 29 de Junho de 2009, estabelece que os postos de carregamento normais serão instalados sobretudo nas principais capitais de distrito e nos concelhos das áreas metropolitanas de Lisboa e do Porto. Quanto aos postos de carregamento rápido, acordou-se que serão disponibilizados ao longo dos principais eixos viários, com particular incidência para as auto-estradas A1 e A2, bem como em localizações de conveniência a definir.
Durante o ano de 2010, o Governo continuará a estabelecer protocolos com as autarquias para lançamento de concursos de licenciamento ou concessão de áreas para instalação de infra-estruturas de carregamento em espaços públicos.
As candidaturas aos cinco Programas Operacionais Regionais do Quadro de Referência Estratégico Nacional, que contemplam como despesas elegíveis as relacionadas com a concepção e a execução de experiências piloto no âmbito das energias renováveis, iniciaram-se a 1 de Outubro de 2009 e terminarão a 31 de Março de 2010.
Os 25 municípios que constituem a Mobi-E podem candidatar-se a fundos comunitários de apoio à instalação das infra-estruturas e à aquisição de materiais necessários para a implementação dos postos de carregamento dos veículos eléctricos.



