EM CONSTRUÇÃO

Entrevista

Registar para reduzir os resíduosNews image

Muitos utilizadores ainda tratam os resíduos de equipamentos eléctricos e electrónicos como lixo urbano ou contam com os serviços das autarquias para se desfazerem dos mesmos. Os municípios têm aqui, por isso, um papel fundamental de articulação com as entidades gestoras, defende Rui Cabral, Director-Geral da Associação Nacional para o...


Tema Especial

Responsabilidade Social Corporativa: Empresas integram preocupações ambientais

Ser socialmente responsável não se restringe ao cumprimento de todas as obrigações legais. Segundo o Livro Verde da Comissão Europeia, publicado em 2001, Responsabilidade Social Corporativa (RSC) “é um conceito segundo o qual as empresas decidem, numa base voluntária, contribuir para uma sociedade mais justa e para um ambiente mais...


Destaque

Green Project Awards 2011: Os melhores projectos de sustentabilidade em Portugal

Os vencedores desta quarta edição dos Green Project Awards, uma iniciativa da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), Quercus e GCI, são os projectos Consumo Consciente, Respeita o Ambiente, CorkSorb, e BioCombus. Os galardoados foram conhecidos ontem à tarde numa cerimónia que decorreu na Culturgest, presidida por Assunção Cristas, Ministra da Agricultura,...


Artigo de Opinião

EM BREVE...

Neste espaço vamos ter novas ideias e reflexões sobre o estado do Ambiente...


ECOXXI – Sistema de Sustentabilidade Local

 

 As exigências sociais na preservação da qualidade do ambiente têm uma preponderância cada vez maior na determinação do futuro do planeta. É através das acções individuais e ambientalmente conscientes que se poderá ambicionar um ambiente mais próspero para nós e para as gerações vindouras. A implementação de Sistemas de Sustentabilidade Local (SSL) é um meio para incentivar as populações a participar de uma forma activa e responsável no desenvolvimento social, económico e ambiental das suas localidades. Os municípios de Mora, Amadora e Águeda são os pioneiros a nível nacional na implementação destes sistemas.

Já vem, desde o final década de 80, a preocupação e a necessidade de se criarem indicadores ambientais e de sustentabilidade para melhor se descrever a interacção entre a actividade antrópica e o ambiente, e conferir ao conceito de sustentabilidade uma maior funcionalidade. Com a realização, em 1992, da Conferência das Nações Unidas para o Ambiente e Desenvolvimento (CNUAD), mais conhecida por Conferência do Rio, despontaram propostas de construção de indicadores ambientais e de sustentabilidade com o intuito de fortalecer a formulação de política nacionais e acordos internacionais. Desde então, o conceito de desenvolvimento sustentável tem sido implementado a nível global, nacional e local, sob um ponto de vista estratégico, conjugando o ambiente com a economia e com as relações sociais. É neste cenário que surgem, em território nacional, iniciativas em diversos sectores de actividade humana, com vista a alcançar as transformações fundamentais para atingir uma sociedade mais verde e sustentável para todos. Assim surge o Projecto ECO XXI, com o intuito de implementar as boas práticas de sustentabilidade a nível municipal, nomeadamente nos aspectos relativos à qualidade ambiental e às práticas de educação para a sustentabilidade. O Projecto ECO XXI é coordenado pela Associação Bandeira Azul da Europa (ABAE/Fee) e inspirado nos princípios subjacentes à Agenda 21 – Sistema criado na Conferência do Rio que propõe os conceitos operacionais para a aplicação de uma política de desenvolvimento sustentável. É preponderante salientar a importância dos municípios na consciêncialização social e do seu papel na implementação de programas de Educação Ambiental para o Desenvolvimento Sustentável. Pretende-se, com este programa, sensibilizar os municípios para uma maior integração das preocupações ambientais nas políticas municipais e promover uma interacção permanente dos projectos escolares com os objectivos da Agenda 21 Local – promover o desenvolvimento de um mundo fértil, próspero e compartilhado. Outro objectivo será promover o crescimento das Agendas 21 Locais através do seu envolvimento com outras entidades, para além dos próprios municípios.

Agenda 21 Local (A21L) e ECO XXI

Entende-se por sustentabilidade local quando uma localidade é capaz de diminuir os níveis de degradação e de manter a salubridade do seu sistema ambiental;  Quando é capaz de reduzir as discrepâncias sociais e providencia, aos seus habitantes, um ambiente construído saudável com base na prática de pactos políticos e acções de cidadania que permitem enfrentar os desafios presentes e futuros.
A Agenda 21 Local é um Sistema de Sustentabilidade Local (SSL) que constitui uma referência integradora de diversas políticas sectoriais. Enquadrado e articulado com os instrumentos de Gestão do Território, como por exemplo o Plano Director Municipal (PDM) e o Plano Regional de Ordenamento do Território (PROT), a sua implementação abrange uma primeira fase de definição da Política, seguindo-se as fases de Planeamento, Implementação, Verificação e Revisão da Gestão, tendo como princípio de funcionamento o Ciclo de Deming (Plan, Do, Check, Assess) e como tal, o de Melhoria Contínua. O Plano de Acção deve ser disponibilizado para Consulta Pública de forma a incentivar a participação de todos os interessados através de sessões de discussão pública.

Inspirados nos objectivos da Agenda 21, o Projecto ECO XXI procura, através de um sistema de 23 indicadores e diversos sub-indicadores, avaliar vertentes da sustentabilidade desde a gestão de recursos, à informação aos munícipes, passando pela energia, mobilidade, floresta, resíduos, conservação da natureza e biodiversidade, turismo, ordenamento do território, qualidade do ar e da água, agricultura sustentável, emprego, etc. Portanto, a sustentabilidade local é aqui avaliada a partir de uma combinação de indicadores de estado, pressão e resposta, incluindo indicadores de capacidade política e institucional que indicam tendências de resposta a pressões e desafios futuros. A implementação deste projecto, para além de contribuir para a aferição de indicadores de desenvolvimento sustentável ao nível do município, procura igualmente reconhecer e saudar o esforço desenvolvido na implementação de medidas pró-ambientais, com relevância na Educação Ambiental. De forma a efectuar a avaliação de desempenho de cada sistema de sustentabilidade local em vigor foi criado o índice ECO XXI que contabiliza o número de indicadores e sub-indicadores pontuados por cada município. Quanto maior o número de indicadores pontuados, maior será o resultado do índice ECO XXI, reflectindo dessa forma uma maior preocupação e atenção pelos problemas ambientais, financeiros e sociais de cada município.

O lançamento do ECO XXI só foi possível devido à constituição de uma Comissão Nacional, por permitir o debate interdisciplinar dos objectivos e metodologias subjacentes. O envolvimento e participação activa das instituições constituintes da Comissão Nacional garantem a exequibilidade deste projecto na reflexão, análise e avaliação de cada um dos indicadores. A lista dos indicadores, assim como das entidades que pertencem à Comissão Nacional, podem ser consultados na página oficial da ABAE/Fee  (http://www.abae.pt/programa/ECOXXI/comissao.php).

Municípios ECOXXI

As Câmaras dos municípios de Mora, Águeda e Amadora, acordaram com a Agência Portuguesa do Ambiente (APA), o estabelecimento de um Protocolo de Cooperação no âmbito do Projecto  “Guia Agenda 21 Local – Um desafio para todos”. Com a assinatura deste protocolo, os três municípios tornaram-se “concelhos-piloto” na tentativa de implementação de uma nova política ambiental e procuram assim integrar-se nos objectivos da Agenda 21 Local. A APA surge como uma das entidades da Comissão Nacional e também como a entidade responsável pela monitorização e avaliação do processo de implementação do SSL em cada um dos três municípios. Cabe a cada uma das câmaras constituir a sua equipa técnica necessária para alcançar os objectivos estabelecidos, tal como disponibilizar a informação que se revele necessária à elaboração do projecto.
Com a concepção e implantação de um SSL, os municípios piloto, em conjunto com os seus parceiros locais e com os munícipes, pretendem fomentar uma melhoria nas condições de vida das populações através da utilização sustentável e optimizada dos diversos recursos existentes nos municípios, em concreto os recursos naturais, económicos e sociais.

A Câmara Municipal da Amadora definiu como grande prioridade, a criação de condições de sustentabilidade na sua autarquia. A sua A21L tem como objectivos:
- Identificar e reflectir sobre as potencialidades do Concelho, criando uma visão conjunta para um futuro sustentável;
- Definir linhas de orientação consensuais para o desenvolvimento sustentável do espaço concelhio;
- Propor critérios e perspectivar intervenções devidamente enquadradas, quantificadas e priorizadas, elaborando um plano de acção da Agenda 21 Local;
- Iniciar a implementação do Plano de Acção, a sua avaliação e monitorização.

O município de Mora escolheu, como linha estratégica, a aposta no turismo ambiental. Para o efeito, envolverá: a realização de acções de formação e qualificação dos recursos humanos do concelho; o incentivo ao investimento nas energias e tecnologias renováveis; e a valorização do sector agro-florestal.

A Câmara Municipal de Águeda candidatou-se pelo segundo ano à atribuição do galardão ECO XXI e duplicou a sua pontuação face ao ano anterior, premiando desta forma o esforço que o município tem feito para melhor servir o concelho e de impulsionar Águeda no sentido do Desenvolvimento Sustentável. É notória essa melhoria, estando Águeda entre os 43 Municípios que demonstram empenho em promover mais e melhores acções e políticas de sustentabilidade ao nível municipal.
O facto dos três municípios piloto representarem realidades muito distintas, quer do aspecto biofísico como sócio-económico, constitui um bom teste porque dá uma maior variação de aplicação ao guia da Agenda 21 Local. 
Qualquer município poderá candidatar-se ao Galardão ECO XXI que consiste numa Bandeira e num Certificado que atesta a qualidade de Eco-Município. O Galardão será atribuído a todos os municípios que apresentarem um valor de Índice ECOXXI superior a 50%.

Desenvolvimento Local Sustentável

A década de 2005-2014, considerada “A Década das Nações Unidas da Educação para o Desenvolvimento Sustentável” (DEDS), tem como objectivo global integrar os valores inerentes ao Desenvolvimento Sustentável e salvaguardar assim o futuro do planeta através de boas práticas ambientais. Para atingirmos essa sustentabilidade geral ter-se-á de partir, primeiro, de acções locais estratégicas de forma a fomentar e cultivar o interesse pelos aspectos ambientais, fundamentais para a nossa qualidade de vida. A consciêncialização e educação ambiental local é um meio, para que, de uma forma unida e coesa, seja possível implementar uma gestão adequada dos recursos naturais e assim garantir a sua existência para as gerações vindouras. Através de pequenos actos conquistar-se-ão grandes feitos, e o projecto ECO XXI é uma ferramenta que se insurge contras as políticas  retrógadas sem objectivos ambientais que estimulem o interesse dos seus habitantes na saúde do planeta. Este programa vai permitir aos municípios participarem e envolverem-se, de uma forma activa e modelar, no quotidiano dos seu munícipes, garantindo a promoção e prossecução dos princípios do desenvolvimento sustentável.

Fontes de informação: http://www.apambiente.pt; www.agenda21local.info; http://ambienteonline.pt/; http://arodama.blogs.sapo.pt/tag/ambiente

 


Actualizado em ( Quarta, 08 Julho 2009 10:28 )
Enviar por E-mail Versão para impressão PDF
 
todos os direitos reservados à Companhia das Cores ©