EM CONSTRUÇÃO

Entrevista

Registar para reduzir os resíduosNews image

Muitos utilizadores ainda tratam os resíduos de equipamentos eléctricos e electrónicos como lixo urbano ou contam com os serviços das autarquias para se desfazerem dos mesmos. Os municípios têm aqui, por isso, um papel fundamental de articulação com as entidades gestoras, defende Rui Cabral, Director-Geral da Associação Nacional para o...


Tema Especial

Responsabilidade Social Corporativa: Empresas integram preocupações ambientais

Ser socialmente responsável não se restringe ao cumprimento de todas as obrigações legais. Segundo o Livro Verde da Comissão Europeia, publicado em 2001, Responsabilidade Social Corporativa (RSC) “é um conceito segundo o qual as empresas decidem, numa base voluntária, contribuir para uma sociedade mais justa e para um ambiente mais...


Destaque

Green Project Awards 2011: Os melhores projectos de sustentabilidade em Portugal

Os vencedores desta quarta edição dos Green Project Awards, uma iniciativa da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), Quercus e GCI, são os projectos Consumo Consciente, Respeita o Ambiente, CorkSorb, e BioCombus. Os galardoados foram conhecidos ontem à tarde numa cerimónia que decorreu na Culturgest, presidida por Assunção Cristas, Ministra da Agricultura,...


Artigo de Opinião

EM BREVE...

Neste espaço vamos ter novas ideias e reflexões sobre o estado do Ambiente...


O futuro dos Resíduos - Ainda há muito para reciclar...

Os números podiam ser mais animadores…até porque a reciclagem parece estar em todo o lado e, em termos de resíduos, as coisas já não são como eram…Mas as estimativas europeias apontam para um aumento de vinte e cinco por cento na produção de resíduos no período de 2005 a 2020, devido a vários factores como as actividades económicas, a inovação tecnológica, os padrões de consumo…A prevenção da produção parece ser difícil de alcançar mas a reutilização e a reciclagem, duas práticas em consonância com a perspectiva económica, parecem ganhar terreno na “luta a favor” da preservação dos recursos naturais. A meta a longo prazo é para que a União Europeia se torne numa sociedade de reciclagem, evitando os resíduos e usando-os como recurso. Realidade ou utopia? Em Portugal, os sinais são bastante positivos quanto à valorização de resíduos mas ainda há um obstáculo a ultrapassar: como prevenir e “recuperar” os resíduos biodegradáveis?


Os resíduos na Europa

Segundo dados publicados em Março deste ano, os cidadãos europeus produzem, em média e por pessoa, quinhentos e vinte e dois quilos de resíduos sólidos urbanos. A previsão da Agência Europeia do Ambiente é que este indicador aumente até aos seiscentos e oitenta quilos em 2020, isto se os padrões de consumo habituais se mantiverem. Actualmente, os resíduos municipais da Europa são encaminhados para aterro (quarenta e nove por cento), incineração (dezoito por cento), reciclagem e compostagem (trinta e três por cento) e, apesar da reciclagem e da incineração terem aumentado, as quantidades absolutas de resíduos encaminhados para aterro não estão a diminuir face ao aumento de geração de resíduos. Um estudo do Eurostat mostra que a produção de resíduos apresenta um padrão distinto em cada Estado Membro, ou seja, os resíduos produzidos por indivíduo variam entre os quase trezentos quilos na República Checa e os oitocentos quilos na Dinamarca. Estes valores podem ser interpretados na perspectiva dos diferentes padrões de consumo e, por sua vez, a capacidade de compra. No topo da lista, a acompanhar a Dinamarca, aparecem também a Irlanda (setecentos e oitenta e seis quilos) e o Chipre (setecentos e cinquenta e quatro quilos) enquanto que a Roménia, a Polónia e a Eslováquia produzem menos de quatrocentos quilos por pessoa. Os valores indicados pelo Eurostat referem-se aos resíduos domésticos, recolhidos pelas entidades municipais (os resíduos agrícolas e industriais não foram contemplados). As estatísticas contemplaram igualmente os tipos de tratamento de resíduos privilegiados em cada País. Assim, a maior taxa de reciclagem europeia pertence à Alemanha (quarenta e seis por cento), Bélgica (trinta e nove por cento) e Suécia (trinta e sete por cento). Impressionantes são os valores Eurostat para a Bulgária, Roménia, Lituânia, Malta e Polónia que encaminham a quase totalidade dos seus resíduos domésticos para aterro. O “polémico” tratamento por incineração é a escolha da Dinamarca (com cinquenta e três por cento dos resíduos encaminhados para incineradoras) enquanto que a compostagem tem a sua maior expressão na Áustria (com trinta e oito por cento). Embora estas estatísticas não incluam Portugal, sabemos que, ao nível do encaminhamento e tratamento dos resíduos, passos importantes já foram dados. A avaliar pela informação fornecida por vários sistemas municipais e também pela Sociedade Ponto Verde, os quantitativos de resíduos encaminhados para tratamento e, em particular, para reciclagem têm aumentado nos últimos anos, revelando resultados positivos quanto à receptividade das inúmeras campanhas de sensibilização que têm sido feitas. Outro sinal de “vitalidade” no sector dos resíduos, é o aparecimento em crescente de novas fileiras de reciclagem, como é o caso das pilhas, dos pneus usados, dos óleos alimentares usados ou dos resíduos de construção e demolição. Ao nível da recolha, um “passo de gigante” foi também dado pelas autarquias que têm vindo a disponibilizar melhores e mais diversificados ecopontos. Segundo os dados da Agência Portuguesa do Ambiente, existem vinte e nove sistemas de gestão de resíduos urbanos cobrindo a totalidade do território continental, sendo quinze multimunicipais e catorze intermunicipais. Embora a mensagem da separação não seja nova para os Portugueses, é talvez ao nível das soluções de tratamento dos resíduos que não podem ser valorizados/reciclados, que ainda não atingimos uma melhor “performance”. Depois da constatação dos problemas ambientais levantados para aterros (nomeadamente quanto à sua monitorização e controlo) e do “chumbo” da incineração, as opções passam por uma melhor implementação da recuperação de orgânicos, supondo que a eficiência na separação de resíduos para reciclagem terá tendência a aumentar. Esta é manifestamente a intenção da União Europeia que já espera resultados positivos em 2010…


O futuro traçado para os resíduos

Na sua redacção de 2006, a Directiva Quadro dos Resíduos “obriga” os Estados-Membros a “promover a prevenção, reciclagem e transformação dos resíduos para efeitos da sua reutilização”. Mais ainda, a Directiva prevê uma hierarquia, em termos de normativas e de políticas sobre gestão de resíduos, a saber, prevenção, preparação para a reutilização, reciclagem (incluindo a compostagem), valorização energética e, por último, o aterro. Relativamente aos resíduos orgânicos, a Directiva exige a recolha selectiva, tratamento específico, e standards de uso para o composto. A Directiva prevê a incineração dos resíduos urbanos com recuperação de energia como uma actividade de valorização, ligada ao critério da eficiência energética. Nada disto é novo…mas integra o objectivo mais global ao nível europeu que é o de cooperação entre Estados-Membros com vista à criação de uma rede integrada e adequada de instalações de eliminação (tendo em conta as melhores tecnologias disponíveis) que permita, no caso da Comunidade, tornar-se auto - suficiente em matéria de eliminação de resíduos e, no caso dos Estados-Membros, progredir no sentido desse objectivo. A Directiva prevê também a obrigatoriedade de realizar Programas de Prevenção no âmbito da planificação sobre resíduos, que incluam objectivos quantificados e indicadores que permitam o respectivo controlo. Em 2014 serão fixados objectivos de prevenção a nível europeu, cujo cumprimento será obrigatório em 2020. O documento estipula que, em 2020, a preparação para a reutilização e a reciclagem (incluindo a compostagem), devem afectar, pelo menos, cinquenta por cento dos resíduos urbanos, incluindo domésticos e similares, enquanto para os resíduos procedentes da construção e demolição, a percentagem se eleva a setenta por cento. Já em 2010 deverá ser feita a revisão do progresso dos objectivos pela Comissão, para analisar a necessidade de medidas.
Para a concretização da meta de 2020, existem algumas propostas que assentam em conceitos de desenvolvimento do mercado, incentivo à pesquisa e desenvolvimento de tecnologias de resíduos e disseminação das melhores práticas. Como exemplo, refere-se a introdução da análise de ciclo de vida na política de resíduos, o desenvolvimento de programas de prevenção de resíduos públicos ou o desenvolvimento de referências - padrão comuns para actividades de reciclagem e materiais reciclados, de forma a assegurar o funcionamento próprio do mercado interno para a reciclagem.
Em Portugal, a legislação mais recente que aborda globalmente o problema dos resíduos é o Decreto-Lei n.º 178/2006, de 5 de Setembro. Designado como a Lei - Quadro dos Resíduos, este diploma criou a Autoridade Nacional de Resíduos que prevê a existência de um “Mercado de Resíduos”, que destaca a prevenção, reciclagem e valorização como a estratégia a seguir para assegurar a preservação dos recursos naturais. Para além da vertente ambiental, a componente económica está também presente assinalando a importância em termos de mercado deste sector. Segundo as informações disponibilizadas pela Agência Portuguesa do Ambiente, encontra-se em elaboração o Plano Nacional de Resíduos. Este instrumento de planeamento estabelecerá “as orientações estratégicas de âmbito nacional da política de gestão de resíduos, as regras orientadoras a definir pelos planos específicos de resíduos; a constituição de uma rede integrada e adequada de instalações de valorização e eliminação de resíduos, tendo em conta as melhores tecnologias disponíveis com custos economicamente sustentáveis”. Já existem actualmente planos específicos para a gestão de resíduos como é o caso do Plano Estratégico para os Resíduos Sólidos Urbanos para o período de 2007 a 2016 (PERSU II), que “dá continuidade à política de gestão de resíduos, tendo em atenção as novas exigências entretanto formuladas a nível nacional e comunitário, assegurando, designadamente, o cumprimento dos objectivos comunitários em matéria de desvio de resíduos urbanos biodegradáveis de aterro e de reciclagem e valorização de resíduos de embalagens, e procurando colmatar as limitações apontadas à execução do PERSU I”. Prevê, ainda, regras orientadoras da disciplina a definir pelos planos multimunicipais, intermunicipais e municipais de acção e identifica as prioridades a observar no domínio da gestão de RSU no contexto do novo ciclo de fundos comunitários relativo ao período 2007-2013, e vertido no Quadro de Referência Estratégico Nacional (QREN).
O desafio agora é assegurar na prática as orientações deste documento tendo já sido apontada, como a principal questão a ultrapassar, a gestão dos resíduos biodegradáveis…

 


Fontes de Informação
http://europa.eu/scadplus/leg/pt/lvb/l21197.htm
http://www.confagri.pt/Ambiente/AreasTematicas/Residuos/Documentos/doc109.htm
http://www.euractiv.com/en/environment
www.apambiente.pt

 


Actualizado em ( Quinta, 30 Abril 2009 09:36 )
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