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Artigo de Opinião

EM BREVE...

Neste espaço vamos ter novas ideias e reflexões sobre o estado do Ambiente...


“USA goes Green”… ou como uma nova política ambiental americana pode mudar tudo

O dia 20 de Janeiro de 2009 ficará para sempre na História dos Estados Unidos da América e também do Mundo. O primeiro Presidente afro-americano irá tomar posse e com ele está depositada a esperança para a resolução da crise económica que nos últimos meses tem vindo a agitar a sociedade americana e, consequentemente, a internacional. Mas desta vez a mudança vai ser também “verde”… No seu discurso de vitória, Barack Obama falou de um “planeta em perigo”, numa clara referência ao problema das alterações climáticas e numa atitude inédita de reconciliação da política ambiental americana com o resto do Mundo, em particular com a União Europeia. A aposta na causa verde é também vista pelo novo Presidente com uma forma de libertar os Estados Unidos da América da dependência em combustíveis fósseis que recentemente tem vindo a fragilizar a economia. Até agora, os esforços na redução das emissões de gases com efeito de estufa não têm contado com o apoio americano mas esse cenário parece ter os dias contados. Será que finalmente um dos maiores poluidores do mundo está prestes a inverter decisivamente o panorama pouco animador das alterações climáticas?


O ambiente e a América

A memória mais recente sobre a política ambiental dos Estados Unidos da América (E:U.A), traz-nos a posição controversa da Administração Bush: quando a comunidade internacional decidiu agir perante o problema das alterações climáticas, suportado por factos científicos, o governo americano optou por não se comprometer com decisões como o Protocolo de Quioto, onde se deram os primeiros passos para a imposição de limites de emissão de gases de efeito de estufa. Mas os E.U.A são um país de diversidades e foi por isso esperada a reacção de algumas personalidades americanas contra este “autismo” perante um problema cuja resolução passa obrigatoriamente pelo empenhamento dos estados americanos. Uma das pessoas que se destacou foi o ex- Vice Presidente Al Gore. O trabalho por si desenvolvido na divulgação do problema das alterações climáticas, do qual é exemplo o documentário “Uma Verdade Inconveniente”, foi reconhecido com a atribuição do prémio Nobel da Paz em 2007.

Com as eleições americanas, foi o candidato democrata, Barack Obama, que marcou novamente a diferença, incluindo nos seus discursos de campanha referências a questões e soluções ambientais. Durante o debate político que antecedeu as eleições, enquanto que o candidato republicano John MacCain indicava a prospecção de petróleo “off-shore” e a energia nuclear como formas de alcançar uma desejada independência energética, o candidato democrata Obama apresentava um plano de cento e cinquenta biliões de dólares para suporte à eficiência energética e uso de fontes renováveis de energia. Os grupos ambientalistas americanos foram os primeiros a aderir a esta viragem da presidência embora os analistas refiram que, para o público em geral, o motivo de interesse no discurso do Presidente fosse mesmo a questão económica.

Intencional ou não, a união da questão energética com a resolução de questões ambientais, ajudou Obama a posicionar-se favoravelmente a vários níveis. Isto numa altura em que a subida do preço do petróleo relembrou novamente todas as desvantagens de recorrer unicamente a esta fonte de energia. Esta tomada de posição pró-ambiente foi também aplaudida pela comunidade internacional, que guardara até agora a má experiência do Protocolo de Quioto.


As novas palavras da mudança: ambiente, ciência e tecnologia

Até agora, a administração Bush tinha sido renitente em comprometer-se com objectivos de redução com a justificação de que a economia americana poderia ressentir-se irreversivelmente. No entanto, sendo os Estados Unidos um dos países que mais contribui para as emissões de dióxido de carbono, esta posição tornou os EUA o principal “travão” ao que poderia ser uma solução para o problema. Espera-se agora que a experiência com o protocolo de Quioto não se repita em Copenhaga em 2009, com a discussão de um novo protocolo. Um sinal positivo foi dado novamente pelo então eleito Presidente Obama que declarou ser fundamental considerar os dados científicos que têm consubstanciado a questão das alterações climáticas: “Tomaremos decisões baseadas em factos, e percebemos que os factos exigem acções arrojadas”.

A escolha de um prémio Nobel para a pasta da Energia é exactamente uma demonstração de como a ciência é agora reconhecida na tomada de decisões. A passividade perante as questões ambientais transmitida pelo Presidente Bush criou algumas inimizades junto da comunidade científica, que acusou várias vezes o ex - Presidente de ignorar evidências científicas do aquecimento global e das suas consequências expectáveis. Aproveitando a abertura de Obama sobre este tema, Al Gore urgiu o novo Presidente a concentrar-se na questão da eficiência energética e das fontes de energia renováveis (eólica, solar e geotérmica), de forma a poder ser providenciada energia “limpa” à totalidade do país no prazo de uma década.

A viragem ambiental do novo executivo foi também destaque numa declaração do outro Nobel da Paz, que partilhou este galardão com Al Gore, R.K. Pachauri, responsável pelo Painel Intergovernamental sobre Alterações Climáticas das Nações Unidas, que afirmou “ser uma oportunidade única para o Estados Unidos de liderarem os esforços no combate às alterações climáticas”.


As pessoas certas, nos lugares certos

A motivação para a procura de novas energias deu novos passos recentemente com a constituição da equipa que irá a acompanhar o Presidente: para a pasta da Energia foi escolhido Steven Chu, já laureado com o prémio Nobel da Física (em 1997), um grande impulsionador das energias renováveis e da procura de soluções tecnológicas para o problema das alterações climáticas. O novo Secretário para a Energia contará com o apoio da antiga directora da Environmental Protection Agency (o equivalente norte-americano à Agência Portuguesa do Ambiente), Carol Browner que será a coordenadora da nova política sobre energia e alterações climáticas a implementar pela Casa Branca.

Outras personalidades ligadas ao ambiente foram posicionadas em lugares de relevo para os destinos económicos do País. Esta equipa, composta por especialista em energia e ambiente, irá desempenhar um papel decisivo na missão de recuperar a economia recorrendo ao “boost” das renováveis e à criação de empregos “verdes”, como forma de diminuir a compra de petróleo a outros países. Dos dois milhões e meio de empregos prometidos pela Administração Obama para revitalizar a economia, a grande maioria serão empregos relacionados com tecnologias e serviços de ambiente, como, por exemplo, parques eólicos, centrais solares ou veículos eficientes.


Para além da integração assumida do ambiente numa pasta crucial para a América como a energia, o Presidente Obama avançou também com a intenção de desenvolver novas medidas para a redução de emissões de dióxido de carbono, uma das principais causas do problema do aquecimento global. Dos objectivos a implementar referem-se o aumento da eficiência energética em edifícios públicos, a modernização da rede de distribuição de electricidade e a redução das emissões de gases de estufa recorrendo à preservação de recursos naturais. A imprensa internacional referiu a possibilidade do Presidente Obama anunciar uma redução da emissão dos gases de estufa até serem alcançados os níveis registados em 1990, sendo este objectivo inicial a alcançar até 2020 seguido de uma redução em oitenta por cento (!) até 2050.

Para tal, será necessário criar um sistema “cap – and – trade”, semelhante ao que já é actualmente praticado pela União Europeia. Em termos gerais, este sistema consiste numa abordagem administrativa para o controlo da poluição que atribui incentivos económicos para a redução das emissões de poluentes. Para tal, é necessário definir um limite (“cap”) para a quantidade de poluente que é permitido emitir. Para cada industria é atribuído um valor para essa emissão pelo que se essa indústria necessitar de aumentar as suas emissões (ou por questões produtivas ou por falhas na implementação de tecnologia) poderá comprar créditos de emissão a outra indústria que tenha alcançado o seu objectivo (“trade”).

Este plano proposto pela nova administração coincide com as metas já definidas pela Grã-Bretanha para 2050, sendo mesmo mais ambiciosas que as metas avançadas pela União Europeia que se comprometeu com um redução de sessenta por cento para o ano de 2050.
Estamos, de facto, num momento de viragem proporcionado por um país cujas decisões até agora têm determinado os destinos económicos, políticos e ambientais de todas as nações. O que esperar desta nova postura para as questões ambientais? A expectativa pinta-se com cor verde, um sinal de esperança para o ano novo que se avizinha.

Fontes de Informação
http://enn.com
http://www.guardian.co.uk


Actualizado em ( Sexta, 10 Abril 2009 20:55 )
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