O Plano de Valorização de Óleos Alimentares Usados (PVOAU) foi um projecto pioneiro criado, em 2003, pela Agência Municipal de Energia de Sintra (AMES) em cooperação directa com a HPEM – Higiene Pública, Empresa Municipal, com os Serviços Municipalizados de Água e Saneamento (SMAS) e com a Divisão de Educação da Câmara Municipal de Sintra. Na sua origem estiveram as preocupações com o cumprimento do Protocolo de Quioto, nomeadamente, no que se refere à implementação de medidas para a redução da emissão de gases com efeito de estufa através, por exemplo, da diminuição da utilização de combustíveis fósseis. Neste contexto, também a necessidade de incorporar a utilização de biocombustíveis no sector dos transportes funcionou como motivação forte para avançar com o PVOAU.
Desde o arranque do projecto que foram realizadas diferentes campanhas de sensibilização, dirigidas às escolas do concelho que aderiram a esta iniciativa, onde o tema principal foi a utilização racional de energia, a utilização de energias renováveis e a valorização de resíduos, nomeadamente a valorização energética dos Óleos Alimentares Usados (OAU) com consequente produção de Biodiesel. No âmbito deste contacto com as escolas, foram colocados Óleões para recolher o óleo produzido nas cantinas mas também para recolher o OAU trazido pelos próprios alunos das suas casas. Numa fase posterior, no final de Outubro de 2005, a recolha de OAU foi alargada ao sector doméstico com a colocação de vinte e três Óleões junto dos ecopontos. Complementarmente, a recolha de OAU também é feita porta a porta nalguns locais piloto.
Desde Dezembro de 2005 até ao final de Outubro de 2008, nos Óleões de rua, nas setenta e uma escolas parceiras do projecto, e noutros locais como lares de idosos, creches particulares, pastelarias com fabrico próprio e alguns restaurantes, foram recolhidos 92.867 litros de OAU. Do volume recolhido, sessenta e três por cento corresponde à recolha nos Óleões de rua e trinta e três por cento é a percentagem de óleos proveniente da recolha nas escolas. Um outro dado importante a salientar refere-se ao abastecimento da frota de recolha de resíduos sólidos urbanos do concelho de Sintra, cujas cinquenta e três viaturas são já “alimentadas” com uma mistura B5 (cinco por cento de biodiesel mais noventa e cinco por cento de gasóleo), proveniente de um posto de abastecimento de biodiesel criado para o efeito.
De forma a avaliar os resultados do projecto, está a ser delineado um estudo destinado a quantificar a redução dos consumos energéticos e das emissões de gases de efeito de estufa, através da produção e utilização de biodiesel em veículos pesados das frotas urbanas da HPEM. Em concreto irão ser identificadas as tendências de consumo, usando dados já disponíveis pelo software de gestão de frotas, aplicada a toda a frota pesada que esteja a usar mistura B5 (estudo assegurado pelo Instituto Superior Técnico). Para o sucesso do PVOAU contribuirá também a recente adesão do sector da restauração do concelho de Sintra. Para o efeito em cada restaurante será entregue um Óleão e um autocolante identificativo do projecto, fornecidos pela Oleotorres – a empresa licenciada para esta actividade. Prevê-se que até à primeira quinzena de Julho, cerca de quatrocentos restaurantes estejam já equipados com Óleões e dísticos autocolantes identificativos da iniciativa. O projecto será desenvolvido em seis fases, com uma média de setenta restaurantes aderentes por fase.
Para além de contribuir para redução das emissões atmosféricas originadas pelas viaturas dos serviços municipais do concelho de Sintra e para a redução dos custos de manutenção do sistema de saneamento, o PVOAU contribui também para uma sustentabilidade de cariz social através de um protocolo com a AMI - Assistência Médica Internacional (AMI). Desde de Outubro de 2008, que cada litro de óleo alimentar usado colocado num Óleão (doméstico, escolar ou restauração) será transformado num donativo para ajudar a AMI na luta contra a exclusão social em Portugal.



