
A água é um recurso escasso e dentro de poucas décadas poderá não responder às necessidades. Esta preocupação está na base do Think Tank Gulbenkian sobre a Água e o Futuro da Humanidade, um grupo de reflexão formado pela Fundação Calouste Gulbenkian para abordar os principais problemas que se colocam no domínio da água, identificar cenários futuros e apontar diferentes estratégias para lidar com novas situações.
Estima-se que cerca de um terço da água que usamos em casa vai pela sanita abaixo. A torneira aberta enquanto lavamos os dentes, os banhos de imersão, as fugas nas tubagens ou os consumos de programas pouco económicos da máquina de lavar roupa são indicadores pouco favoráveis à “pegada de água”. Reduzir a capacidade do autoclismo e reutilizar as águas residuais podem ser consideradas medidas úteis, mas não chegam para resolver um problema à escala global. Alguns dos exemplos publicados no site Water Footprint, gerido pela Universidade de Twente, na Holanda, e pelo Institute for Water Education, procuram dar uma ideia da dimensão do problema: Para produzir um litro de leite são necessários 1000 litros de água; uma chávena de café exige 140 litros de água, um quilo de carne implica 16 mil litros de água.
Além do abastecimento público de água, a indústria, a agricultura, o turismo e a energia estão entre os maiores utilizadores deste recurso. A água é um bem escasso: Quase 900 milhões de pessoas no mundo não têm acesso a água potável e mais de 2,6 biliões de pessoas não acedem ao saneamento básico. Os desperdícios facilitam e as condições climatéricas agravam a situação. Recentemente, o Painel Intergovernamental sobre as Alterações Climáticas (PIAC) das Nações Unidas concluiu que as fontes de água potável sofrem a influência das alterações climáticas, com consequências devastadoras para as sociedades humanas e para os ecossistemas. Os recursos hídricos estão armazenados nos glaciares, mas a verdade é que estes se encontram a derreter (ex: glaciares do Tibete). O cenário é sério: “Pensa-se que as disponibilidades da água face às necessidades, dentro de algumas décadas podem pôr em causa o desenvolvimento da humanidade”, referiu o coordenador do Think Tank Gulbenkian sobre Água e o Futuro da Humanidade, Luís Veiga da Cunha, em declarações à Agência Lusa, no âmbito do primeiro encontro do projecto realizado em Lisboa, em Dezembro. O professor da Universidade Nova de Lisboa salientou que as sociedades poderão enfrentar dificuldades "sobretudo por causa do consumo de água ligado àquela que é integrada nos produtos que se consomem (...) nomeadamente nos produtos agrícolas". O consumo de água no horizonte de 2050 e o estado dos recursos hídricos no ambiente global constituem assim a base de reflexão deste Think Tank, um grupo de reflexão criado pela Fundação Calouste Gulbenkian com o objectivo de aprofundar os conhecimentos sobre a importância crescente da água num mundo em mudança. Tratando-se de um problema de todo o mundo, este programa conta por isso com especialistas de vários países, reunindo “saberes complementares”, de forma a reflectir de forma interdisciplinar e multisectorial sobre os principais problemas. O Think Tank Gulbenkian sobre a Água e o Futuro da Humanidade é constituído por Benedito Braga (Brasil), Colin Chartres (Austrália), William J. Cosgrove (Canadá), Luís Veiga da Cunha (Portugal), Peter Gleick (E.U.A.), Pavel Kabat (Holanda), Mohamed Ait Kadi (Marrocos), Daniel P. Loucks (E.U.A.), Jan Lundqvist (Suécia), Sunita Narain (Índia) e Jun Xia (China) – especialistas que marcaram presença na sessão de apresentação pública do projecto no dia 6 de Dezembro.
Mais informações: www.gulbenkian.pt



