
O projecto “Conservação do Lobo e o seu Ecossistema”, da autoria de Francisco Fonseca, do Grupo Lobo, foi o grande vencedor da terceira edição do Prémio BES Biodiversidade, uma iniciativa anual, no valor de 750.000 euros, que tem como objectivo apoiar projectos inovadores na área da diversidade biológica em Portugal.
Portugal é um dos países europeus mais afectados pelas alterações climáticas em termos de perda de biodiversidade e o tema toca a todos. A preocupação é, por isso, simultaneamente um convite aos agentes sociais, e de um modo geral, ao mundo, para desenvolver acções em prol da biodiversidade. Nesta perspectiva, o Banco Espírito Santo (BES) decidiu assumir a sua responsabilidade enquanto agente económico e lançou, em 2007, o Prémio BES Biodiversidade, em parceria com o Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos (CIBIO), da Universidade do Porto. Trata-se de um prémio nacional anual, no valor de 75.000 euros, que tem como objectivo premiar e apoiar projectos e iniciativas inovadores de investigação, conservação e gestão da diversidade biológica em Portugal e faz parte de um programa mais extenso, destinado a dar cumprimento ao “Compromisso BES pela Biodiversidade - Business & Biodiversity”, uma estratégia inédita no sector financeiro português. Este ano, o Ano Internacional da Biodiversidade, o Prémio distinguiu o projecto de conservação do lobo ibérico,
“Conservar o Lobo em Portugal: da Teoria à Prática”, que pretende investigar e implementar métodos de prevenção de prejuízos causados pelo lobo no gado, de forma a diminuir os conflitos dos criadores de gado com este predador, contribuindo para a conservação da espécie. O júri foi unânime na decisão, e considerou a candidatura de qualidade excepcional. Liderado pelo Professor Doutor Francisco Petrucci Fonseca, do GRUPO LOBO, este projecto é “o resultado de esforços reunidos por um conjunto de pessoas que, há largos anos, encaram este como o seu projecto de vida e de carreira”, destaca a Dr.ª Teresa Andresen, presidente do júri. E acrescenta ainda que “a seriedade do projecto e o empenho da equipa, composta por um conjunto de cientistas e voluntários que acreditam na viabilidade dos objectivos do mesmo e na preservação da espécie Lobo em Portugal, foram essenciais para ser o grande vencedor deste prémio”. Uma opinião corroborada pelo autor do projecto.
O GRUPO LOBO, Associação não governamental, independente e sem fins lucrativos, foi fundado em 1985 para trabalhar a favor da conservação do lobo e do seu ecossistema em Portugal. O lobo é uma das espécies cuja área de distribuição mundial mais tem sido reduzida. O GRUPO LOBO iniciou por isso uma estratégia de informação da opinião pública, através de apoio a estudos científicos e da promoção de medidas práticas e de conservação, tendo desenvolvido um trabalho continuado.
3 menções honrosas
Nesta terceira edição, o júri, presidido pela Vice-Presidente do Instituto da Conservação da Natureza e da Biodiversidade, Teresa Andresen, deliberou ainda atribuir três menções honrosas entre os 33 projectos concorrentes: “Modo de Avaliação dos Serviços de Ecossistemas em Portugal”, do Centro de Biologia Ambiental, da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa; “Florestas Marinhas de Algas Gigantes” do Centro de Ciências do Mar da Universidade do Algarve; e “Programa de Monitorização das Aves” da Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves.
Recorde-se que em 2008, o vencedor do prémio foi o projecto “Áreas Marinhas de Importância para as Aves”, da autoria da Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves, e em 2009, foram dois os contemplados - “Um novo Modelo de Vinha no Douro”, da The Fledgate Partnership Vinhos SA, e “Parque de Natureza de Noudar” da EDIA – Empresa de Desenvolvimento de Infra-estruturas de Alqueva, SA.



