EM CONSTRUÇÃO

Entrevista

Registar para reduzir os resíduosNews image

Muitos utilizadores ainda tratam os resíduos de equipamentos eléctricos e electrónicos como lixo urbano ou contam com os serviços das autarquias para se desfazerem dos mesmos. Os municípios têm aqui, por isso, um papel fundamental de articulação com as entidades gestoras, defende Rui Cabral, Director-Geral da Associação Nacional para o...


Tema Especial

Criado Instituto para gerir território

Assume-se como um action tank, tem respostas e pretende criar soluções que permitam ao país defender melhor os seus recursos. A primeira rede portuguesa para o desenvolvimento do território foi lançada dia 23 de Janeiro, numa cerimónia presidida pelo Primeiro-Ministro, Pedro Passos Coelho.“O país tem problemas de organização territorial que...


Destaque

Green Project Awards 2011: Os melhores projectos de sustentabilidade em Portugal

Os vencedores desta quarta edição dos Green Project Awards, uma iniciativa da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), Quercus e GCI, são os projectos Consumo Consciente, Respeita o Ambiente, CorkSorb, e BioCombus. Os galardoados foram conhecidos ontem à tarde numa cerimónia que decorreu na Culturgest, presidida por Assunção Cristas, Ministra da Agricultura,...


Artigo de Opinião

EM BREVE...

Neste espaço vamos ter novas ideias e reflexões sobre o estado do Ambiente...


“Teremos que mudar para um sistema energético mais local e regional” – entrevista com Paul Roberts, especialista americano na área da energia

 Paul Roberts, especialista americano na área da energia e autor do livro best-seller “The End of Oil”, foi um dos oradores convidados da ENERVIDA’11 – Feira e Conferência de Energias Renováveis e Eficiência Energética, que decorreu de 10 a 13 de Fevereiro, em Viseu. Em entrevista ao Câmaras Verdes, aborda o sistema energético do futuro, identifica mitos, distingue bons exemplos e refere que Portugal está no bom (e eficiente) caminho. 

Câmaras Verdes: Pode fazer-nos um balanço da sua participação na ENERVIDA’11, mais precisamente na conferência “Economia da Energia e Eficiência Energética”?
Paul Roberts: Nesta conferência, abordei os riscos inerentes a uma economia energeticamente dependente do petróleo. Na minha perspectiva, estes riscos passam pelo perigo do desaparecimento do petróleo, instabilidade geopolítica, manipulação do mercado e danos ambientais. Perante este cenário, é imperativo encontrar novas ideias para a produção de energia no futuro. Porém, defendo também que a transição desta economia baseada em petróleo vai demorar algum tempo, e requererá um planeamento cuidadoso – por isso, precisamos de começar a pensar o mais depressa possível e seriamente sobre como fazer estas mudanças da forma mais correcta. Fiquei satisfeito por ver tanta gente na conferência, e esperançoso por esta mensagem para a mudança estar a difundir-se!       

Câmaras Verdes: Que energias renováveis aponta como soluções de futuro?
Paul Roberts: Aqui reside uma grande incerteza. São várias as tecnologias que estão a ser desenvolvidas - desde as solares, eólicas, de hidrogénio, aos biocombustíveis. Porém, não sabemos quais serão as mais efectivas. O nosso futuro sistema energético será provavelmente um portfólio de diferentes combustíveis e tecnologias, cada uma ajustada a um mercado específico ou à geografia. O que se pode afirmar é que essas novas tecnologias deverão ser tecnologias com baixas emissões ou, idealmente, de carbono zero, de forma a contribuírem para combater as alterações climáticas. Devem igualmente permitir aos consumidores terem um grande controlo local sobre a produção de energia. Pode-se ainda dizer que as atitudes dos consumidores e das empresas acerca da energia vão ter que mudar – a noção actual de que a energia (com origem em recursos fósseis) é ilimitada deve caminhar para o entendimento de que é um recurso “não renovável”. 

Câmaras Verdes: Actualmente, na sua opinião, quais os grandes mitos à volta da independência energética?
Paul Roberts: Poucos países têm a capacidade de se tornarem independentes da energia. No actual sistema, a maioria dos países depende de um mercado global, ora para se abastecerem de energia, ora para fornecerem e exportarem. Nas próximas quatro ou cinco décadas, o crescimento populacional e o aumento da procura de energia irá fazer com que este mercado global seja ainda mais essencial. Mas, eventualmente, teremos que mudar para um sistema energético mais local e regional, onde as comunidades produzam mais a sua energia a nível local – idealmente até mesmo em casa! Julgo que Portugal oferece várias vantagens nesse sentido. Tal como o resto da Europa, Portugal aplica impostos elevados sobre os combustíveis, o que força os consumidores a prestarem atenção ao consumo de energia, resultando, por exemplo, como tem acontecido, na compra de carros mais pequenos. Portugal tornou-se também um dos maiores promotores de energias alternativas: Companhias como a Martifer estão a desenvolver tecnologia solar e eólica cada vez mais competitiva com a de hidrogénio. Terei curiosidade em saber como estará Portugal daqui a três anos, quando a crise financeira passar e os consumidores e empresas poderem voltar ao seu comportamento energético ‘normal´.

Câmaras Verdes: Como observador de longa data de questões energéticas e políticas, pode dar-nos alguns exemplos de eficiência energética, nomeadamente um país e/ou empresa?
Paul Roberts: Diria que a Califórnia é um bom exemplo, até pela sua dimensão territorial. Após a crise energética dos anos 70, a Califórnia lançou vários programas de eficiência, e desde então tem mantido os seus níveis de consumo de electricidade, ao mesmo tempo que quase duplicou o seu PIB. No caso de uma empresa ou serviço, diria que a ‘vossa’ EDP é um bom exemplo; está neste momento a desenvolver programas para ‘vender’ poupança aos clientes – um negócio que será rentável para a EDP e que poderá ajudar os clientes a tornarem-se mais eficientes.   

Câmaras Verdes: Na sequência do seu livro best-seller “The End of Oil” (O Fim do Petróleo), perguntamos-lhe: Para quando a morte anunciada?
Paul Roberts: Se eu soubesse, seria um homem rico! Ninguém sabe ao certo e, além disso, o petróleo nunca esgota, simplesmente torna-se cada vez mais e mais difícil de produzir, ficando desta forma cada vez mais e mais caro. Neste sentido, julgo que já atingimos o Fim do Petróleo Barato. O que eu penso é que devemos encarar um mundo de petróleo mais caro e agir em conformidade.    

Câmaras Verdes: E na sua perspectiva, qual deverá ser o papel dos estados, das autarquias e organismos públicos neste plano de acção de eficiência energética?  
Paul Roberts: O grande problema de ‘vender’ eficiência energética está no facto de ser muitas vezes difícil, para as empresas, entenderem que podem fazer lucro vendendo menos do seu produto. Então, o estado necessita de criar sistemas de incentivo que encaminhem as empresas neste sentido. Os organismos públicos e os governos também precisam de desenvolver programas para educar os consumidores sobre a necessidade de conservação, e de encorajar os consumidores a consumir menos, provavelmente através de incentivos. (Portugal já faz isto, por exemplo, aplicando taxas sobre o motor dos carros.) Os institutos públicos e os governos devem ainda ajudar a financiar a investigação para novas tecnologias que possam melhorar a eficiência.    

  

 


Actualizado em ( Segunda, 14 Março 2011 10:08 )
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