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Entrevista

Registar para reduzir os resíduosNews image

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Tema Especial

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Destaque

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Artigo de Opinião

EM BREVE...

Neste espaço vamos ter novas ideias e reflexões sobre o estado do Ambiente...


“Constata-se um maior dinamismo dos municípios na gestão de resíduos” – entrevista com Luís Veiga Martins, director-geral da Sociedade Ponto Verde

 

Metas ambiciosas de reciclagem de vidro. Projectos de cariz social. Desenvolvimento de ferramentas informáticas para análise de resultados ambientais. E um site, para breve, com informação focada no ecopackaging. A Sociedade Ponto Verde (SPV)  existe há mais de 10 anos, está presente em 97,4% das autarquias e continua a ser uma referência na gestão de fluxos específicos de resíduos, confirma Luís Veiga Martins, director-geral da SPV.

Câmaras Verdes: Que balanço é possível fazer neste momento da retoma de embalagens em Portugal face ao que estava previsto nas metas estabelecidas para 2011?
Luís Veiga Martins: Fechámos o ano transacto acima dos 53%, ou seja, a apenas dois pontos percentuais da meta definida. Tudo indica que terminaremos o ano de 2010 já acima dos 55% previstos para o final da licença, pelo que o balanço não poderia ser mais positivo.

Câmaras Verdes: As autarquias terão aqui um papel decisivo? De que forma se poderá apelar a um maior envolvimento ou articulação de esforços?
Luís Veiga Martins: A Sociedade Ponto Verde marca hoje presença em 97,4% dos municípios portugueses, através das parcerias que mantém com os Sistemas Municipais e Intermunicipais. Estes são responsáveis por disponibilizarem à população os equipamentos necessários à recolha das embalagens usadas e asseguram a sua manutenção e recolha. O papel das autarquias é, naturalmente, imprescindível e constata-se, cada vez mais, um maior dinamismo da maioria dos municípios no que diz respeito à gestão de resíduos. 

Câmaras Verdes: Tendo em conta que o vidro é o material que se encontra mais longe das metas de reciclagem a atingir, quais as expectativas da acção lançada recentemente pela Sociedade Ponto Verde (SPV) nas 345 lojas Pingo Doce? Atribuir “prémios” é um caminho a seguir no sentido de estimular os cidadãos?
Luís Veiga Martins: Um dos objectivos da SPV tem a ver com a reciclagem, até final de 2011, de, pelo menos, 60 % da totalidade do vidro que lhe é declarado. Vamos terminar 2010 perto dos 50%, o que, apesar de ser um valor considerável, está ainda abaixo da meta pretendida. É necessário fazermos todos um esforço adicional em relação à reciclagem deste material. A campanha que decorreu nos supermercados Pingo Doce, entre 6 de Outubro e 10 de Novembro, é uma das iniciativas que preparámos para sensibilizar os consumidores para esta necessidade. Com ou sem a entrega de prémios, o propósito é sempre o mesmo: recordar às pessoas que cada vez que depositamos uma embalagem usada no ecoponto, como um boião de geleia ou uma garrafa de água, recebemos em troca, através da sua reciclagem, novos produtos que poderão ser utilizados para outros fins. Desta forma, estamos a contribuir para a redução da deposição de resíduos de embalagem recicláveis em aterro, passando estas a constituírem matéria-prima secundária para as diversas indústrias e evitando o consumo de recursos naturais.

Câmaras Verdes: A par das iniciativas de responsabilidade exclusivamente ambiental, a SPV colaborou recentemente também com a Entrajuda, contribuindo para o material escolar de 2000 crianças de famílias carenciadas. Como encara a SPV a área da responsabilidade social?
Luís Veiga Martins: Tentamos sempre contribuir, no âmbito da nossa actividade, para a sociedade de uma forma positiva. Isto é visível através da nossa missão - promover a recolha selectiva, a retoma e a reciclagem de resíduos de embalagens, a nível nacional – mas também através de projectos que associamos ao empenho dos portugueses na separação dos seus resíduos. O “Reciclar é Dar e Receber”, que foi desenvolvido em parceria com a Entrajuda, é um dos exemplos mais recentes do trabalho que temos desenvolvido nesta área. Por cada tonelada separada pelos portugueses, entre Abril e Setembro, a SPV comprometeu-se a contribuir para a aquisição de material escolar. Conseguimos dar 2000 kits escolares a crianças do 1º ciclo, pertencentes a famílias carenciadas, e as quais foram identificadas por 75 instituições de todo o país, que trabalham diariamente com o Banco de Bens Doados.
Em anos anteriores, estivemos ligados a projectos igualmente meritórios e com resultados muito positivos. Relembro o projecto “2 causas por 1 causa”, lançado em 2008, que contribuiu com a oferta de duas novas unidades de rastreio do cancro da mama à Associação Laço.

Câmaras Verdes: É também no âmbito da responsabilidade social que surge o PROJECTO R+? Que papel tem aqui a SPV enquanto parceiro?
Luís Veiga Martins: O Projecto R+, onde participam várias entidades, visa a criação de um equipamento semelhante aos ecopontos que permite a pessoas com deficiência ou incapacidade física depositar resíduos para reciclagem. O papel da SPV neste projecto é o de, através da sua experiência e know-how adquiridos ao longo dos anos, ajudar a encontrar uma solução de mobilidade acrescida que melhor sirva este propósito.

Câmaras Verdes: Pelo desafio de sustentabilidade económica que o SIGRE enfrenta neste momento, estão criadas as condições para a entrada de uma nova entidade gestora de resíduos de embalagens? A confirmar-se, o que irá mudar nas “regras” do mercado?
Luís Veiga Martins: A SPV foi a primeira entidade gestora a ser criada em Portugal para gestão de fluxos específicos de resíduos, mais precisamente para as embalagens usadas. Ao longo dos mais de 10 anos de actividade, conseguiu alcançar e ultrapassar todos os objectivos a que se propôs, ou seja, tem sido um caso de sucesso e é hoje uma referência. A SPV marca hoje presença em 97,4% dos concelhos do País, através das parcerias que mantém com os Sistemas Municipais e Intermunicipais. É esta marca de qualidade e rigor que queremos continuar a ter no nosso trabalho, independentemente da criação ou não de outras entidades gestoras. Caso se venha a confirmar a criação de uma nova entidade gestora num cenário de verdadeira concorrência, isto é, com as mesmas ”regras do jogo”, nada temos a temer.

Câmaras Verdes: Passando agora para um âmbito mais alargado da actividade da SPV, que resultados/objectivos se pretendem atingir com o “MOR Online” – a primeira plataforma integrada no Mercado Organizado de Resíduos? Confirma-se o arranque no último trimestre deste ano, tal como estava previsto?
Luís Veiga Martins: A plataforma “MOR Online” arrancou no passado dia 25 de Novembro e é a primeira plataforma de gestão integrada no Mercado Organizado de Resíduos, autorizada pela Agência Portuguesa do Ambiente. Além da Sociedade Ponto Verde, o “MOR Online” é constituído por empresas com um vasto conhecimento do mercado e da gestão de resíduos, constituindo uma garantia para quem pretender transaccionar resíduos de forma rápida, segura e ao melhor valor possível.

Câmaras Verdes: Na sequência do protocolo de cooperação técnica ligado à gestão de resíduos, assinado entre a SPV e a Secretaria de Estado do Ambiente do Estado do Rio de Janeiro, que mais-valias podem resultar, para ambas as partes, deste acordo? Na sua perspectiva, quem está mais ‘avançado’ nesta área: Portugal ou Brasil?
Luís Veiga Martins: O acordo assinado com a Secretaria de Estado do Rio de Janeiro visa a troca de experiências e informações relativas à aplicação dos conceitos de responsabilidade alargada do produtor na gestão dos fluxos de resíduos, nomeadamente ao nível dos resíduos de embalagens. Portugal é um dos países onde tem sido aplicada a responsabilidade alargada do produtor não exclusiva. Este facto tem contribuído, no caso das embalagens e dos seus resíduos, para o cumprimento das metas de reciclagem e valorização preconizadas na legislação comunitária, além de ter induzido, via contribuições financeiras pagas às Sociedades Gestoras, uma diminuição significativa no peso das embalagens. A experiência portuguesa no sector de resíduos poderá ser útil para o Governo do Estado do Rio de Janeiro, que está a elaborar o Plano Estadual de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos e os Programas Lixão Zero e Recicla Rio. Portugal já começou há mais tempo todo este processo pelo que estará já num patamar distinto.

Câmaras Verdes: O que é que nos pode antecipar sobre o novo site que a SPV está a prever lançar tendo em vista para a importância da prevenção de resíduos na origem e do conceito?
Luís Veiga Martins: O “pack4recycling”, que será lançado em breve, visa minimizar o impacto ambiental das embalagens através da promoção da importância da prevenção de resíduos na origem e do conceito de projectar para a reciclagem (ecopackaging). A Coca-Cola, por exemplo, é uma das empresas que tem recorrido à informação disponibilizada pelo site belga - semelhante àquela que a Sociedade Verde vai disponibilizar - aquando do desenvolvimento de novas embalagens.


 


Actualizado em ( Sexta, 04 Fevereiro 2011 11:21 )
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