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Entrevista

Registar para reduzir os resíduosNews image

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Tema Especial

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Destaque

Green Project Awards 2011: Os melhores projectos de sustentabilidade em Portugal

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Artigo de Opinião

EM BREVE...

Neste espaço vamos ter novas ideias e reflexões sobre o estado do Ambiente...


Investimentos de qualidade (de vida) - Entrevista com José Sá Fernandes, Vereador do Ambiente e Espaços Verdes da Câmara Municipal de Lisboa

 Em Lisboa, vai ser possível percorrer as esplanadas, do Palácio da Justiça à Alameda Afonso Henriques. Do Tejo a Monsanto, o percurso de biodiversidade funcionará como um autêntico centro de interpretação itinerante. E vão passar a existir vários bairros zona 30 (velocidade controlada). O grande objectivo é proporcionar qualidade de vida. E a estratégia assenta num forte investimento no Espaço Público e em ligações pedonais e cicláveis, como corredores verdes, ciclovias, jardins, equipamentos e vigilância. José Sá Fernandes, Vereador do Ambiente e Espaços Verdes da Câmara de Lisboa, traça planos para que as pessoas andem pela cidade com um sorriso nos lábios.
     
Câmaras Verdes: Na sua perspectiva, quais os indicadores que melhor definem a qualidade de vida numa cidade e quais as áreas que merecem especial atenção em Lisboa?

José Sá Fernandes: O melhor indicador é as pessoas poderem andar a pé e com um sorriso nos lábios. Para tal, todas as áreas merecem atenção, sendo no entanto muito fácil perceber quais as que carecem de maiores investimentos. Coloco a qualidade do Espaço Público em primeiro lugar, no sentido de torná-lo cada vez mais agradável como é o caso de toda a coroa Norte (que envolve o Parque Oeste, a zona da Ameixoreira e a Charneca). Já a parte ocidental, Ajuda/Alcântara, requer também uma maior intervenção ao nível das ligações e do arranjo do Espaço Público. Sem esquecer a zona central (zonas históricas e avenidas novas). Por exemplo, estamos neste momento a realizar uma grande obra de pedonização na Avenida Duque D’Ávila, que consiste precisamente no inverso do que aconteceu nas últimas décadas, em que se retiraram passeios para construir estacionamento para os carros.
Esta obra vai criar uma rede contínua de ligações pedonais e cicláveis: Monsanto ao Palácio da Justiça (o Corredor Verde de Monsanto - que já existe, falta apenas melhorar), o Palácio da Justiça aos jardins da Gulbenkian, os jardins da Gulbenkian aos jardins do Arco do Cego, etc.
Considero que os grandes investimentos no espaço público devem sempre incluir estas ligações. Os Corredores Verdes que atravessam Lisboa são por isso fundamentais pois permitem andar a pé ou de bicicleta. Desta forma, a cidade ficará unida.
Outra área que merece especial destaque é a dos equipamentos à disposição nos espaços públicos, como casas de banho, quiosques, esplanadas, parque infantil, ensombramento, entre outros, que sirvam diferentes valências. É necessário proporcionar conforto e vigilância para que as pessoas se sintam seguras. Neste momento, já temos vigilância na maior parte dos parques, o que é muito importante e faz com que os lisboetas hoje em dia - ao contrário do que se diz -, usufruam dos espaços verdes.

Câmaras Verdes: Especificamente na área de Higiene e Limpeza Urbana (política de RSUs incluída), quais as grandes soluções para uma Lisboa limpa?

José Sá Fernandes: A solução passa pelo grande projecto de recolha selectiva porta a porta conjugada naturalmente com uma forte campanha de sensibilização, que é fundamental. Isto porque os ecopontos não se têm revelado uma boa solução, no sentido em que se transformam rapidamente em lixeiras. Até 2013 a recolha selectiva porta a porta vai abranger toda a cidade. Vamos ter também mais cantoneiros, o que vai permitir proceder à limpeza das ruas com muito maior frequência. Estamos também a adquirir mais equipamento (varredoras, sopradoras). Outra medida importante assenta no melhoramento da nossa frota de recolha com a substituição dos veículos a gasolina por carros a gás natural. Um projecto que vamos tentar conseguir ver concluído até ao fim do mandato.

Câmaras Verdes: O plano de poupança de energia e de eficiência energética de Lisboa é considerado pioneiro. Quais os exemplos que melhor ilustram esta realidade?

José Sá Fernandes: Quando falamos de energia, a primeira batalha a travar é na poupança. Ou seja, ser mais eficiente energeticamente. Neste sentido, estamos a preparar várias mudanças no âmbito da iluminação pública e dos semáforos que são os grandes consumidores de energia da cidade. Vamos investir cerca de dois milhões e meio de euros com o objectivo de substituir, pelo menos, um terço da iluminação pública para que, a partir de certa hora, haja uma menor intensidade de luz, o que permite uma poupança energética muito significativa. Esta é uma aposta que será concretizada rapidamente. No que respeita aos semáforos, iremos avançar com a adopção de mecanismos LEDs em toda a cidade. Um investimento que também representa um investimento de cerca de dois milhões e meio de euros mas que pelas experiências que já tivemos oportunidade de realizar permitiu-nos concluir que a poupança será significativa. 
Na vertente da produção, estamos apenas dependentes das portarias do governo (para financiamento) para colocarmos painéis solares fotovoltaicos em todas as coberturas dos edifícios da câmara criando assim condições para depois vendermos essa energia à EDP.
Ainda no âmbito do plano de poupança de energia, também queremos estar à frente no que respeita à aquisição de veículos eléctricos, que é o futuro e estamos a prepará-lo agora. Para já, vamos começar a instalar os postos de abastecimento na cidade.

Câmaras Verdes: No que respeita à rede de ciclovias, quais as expectativas para este projecto?

José Sá Fernandes: É um projecto que tem de ser concluído pois não existe ainda nenhuma pista completamente terminada. O importante é ligar esta rede de Belém à Expo. Todos os dias vejo pessoas a andarem de bicicleta, por isso acredito que será um projecto ao qual Lisboa irá aderir muito bem, principalmente à rede de bicicletas de uso partilhado. Claro que tem de ser muito bem divulgado, mas a poupança de tempo é significativo.

Câmaras Verdes: A mobilidade é então uma missão possível para Lisboa?

José Sá Fernandes: Acredito que sim porque para além da rede de bicicletas, temos a aposta nos corredores verdes, a aposta nos veículos eléctricos, vamos ter muitos bairros zona 30 (velocidade controlada), implementando medidas de acalmia de tráfego onde será possível o convívio entre carros, bicicletas e peões – como por exemplo nos bairros do Arco de Cego, de S. Miguel, da Encarnação, Campo de Ourique –, o que representa um ganho para o Espaço Público e na mobilidade. Sem esquecer, é claro, a existência de uma rede de transportes eficiente que permita às pessoas deslocarem-se mais rápida e facilmente: novas linhas de metro.

Câmaras Verdes: Decorridos dois anos sobre o início do Orçamento Participativo de Lisboa, que balanço pode ser feito deste projecto que ‘convidou’ e sensibilizou os cidadãos a participarem activamente na definição das prioridades de investimento para a cidade?

José Sá Fernandes: Tem sido um sucesso. A aposta na divulgação deste projecto através de campanhas de sensibilização tem dado os seus frutos e cada vez recebemos mais propostas e votos. De 1 a 31 de Outubro, é possível votar online nos vários projectos (cerca de 300). Serão contemplados os projectos com maior número de votos até perfazerem cinco milhões de euros do orçamento.

Câmaras Verdes: Neste que é o Ano Internacional da Biodiversidade, estabeleceu-se, como meta ambiental para a cidade de Lisboa, um aumento de 20 por cento no nível da biodiversidade até 2020. No que consiste o plano de actividades a desenvolver, quem está por detrás da sua definição e do que dependerá a concretização dos objectivos propostos?

José Sá Fernandes: Só com o projecto dos corredores verdes e das hortas sociais já conseguimos estar mais perto desse objectivo.
Uma das obras ambientalmente mais interessantes e importantes em desenvolvimento consiste no desvio dos esgotos do rio Tejo. Ao deixar de haver esgoto para o Tejo, o próprio rio vai ter mais condições de criar biodiversidade.
Refira-se que a biodiversidade pode ser analisada sob dois pontos de vista: a existência de mais espécies e, por outro lado, de mais território com biodiversidade.
A criação de uma rota da biodiversidade, a qual pretendemos que fique pronta ainda este ano, é mais uma iniciativa: vamos poder ir do Tejo até Monsanto num percurso de biodiversidade que permitirá às pessoas identificar as várias espécies de flora e fauna. Quase como que um centro de interpretação, mas itinerante. Estamos ainda a preparar uma exposição sobre o planeta Terra e apoiámos a exposição do Lince.
E em Dezembro, vamos lançar o Guia de Monsanto que conjuga o Ano Internacional da Biodiversidade e o Ano da Floresta, a celebrar em 2011.

 

 


Actualizado em ( Segunda, 08 Novembro 2010 14:58 )
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