
O Concurso Solar Padre Himalaya e mais recentemente o Concurso Rali Solar são apenas dois exemplos do contributo do SPES junto da comunidade escolar para o seu desenvolvimento na promoção da energia solar.
Câmaras Verdes - Numa altura em que as energias renováveis assumem um papel de destaque no campo das soluções para o problema energético, qual tem sido o papel da SPES na promoção da energia solar em Portugal?
David Loureiro - Pelo menos em termos escolares, posso dizer que tem participado nos últimos dez anos, nas iniciativas nacionais e regionais com maior destaque ao nível da (in)formação dos professores sobre a temática das Energias Renováveis (ERs). E muitas mais actividades tem inspirado e influenciado, pela motivação que projecta na promoção da energia solar, dedicando grande destaque às aplicações nacionais e às internacionais que nos têm servido como bons exemplos.
Mesmo ao nível dos projectos com parceiros europeus, com objectivos de disseminação de tecnologias energéticas com fontes renováveis, a SPES tem marcado a sua presença como entidade parceira ou como colaboradora, sempre que surgiu a necessidade de promoção e divulgação das iniciativas técnicas e científicas da energia solar em Portugal.
Câmaras Verdes - Em que âmbito surge o Concurso Solar Padre Himalaya (CSPH)?
David Loureiro - Poderá parecer algo complexo, mas foi essencialmente o resultado da conjugação de três factores, por altura de 2002, fazia eu parte do conselho director da SPES. Sabíamos que se deveria dar destaque a uma importante efeméride para a história portuguesa da Energia Solar, que se iria comemorar em 2004. O centenário do “Grand Prix”, um prémio especial atribuído a um grande forno solar - o Pirelióforo - na Exposição Universal nos EUA em 1904, um invento do Padre Manuel António Gomes. Mais conhecido como... Padre Himalaya.
Entretanto, na altura fomos recebendo inúmeros convites para proferir palestras ou participar em exposições, com muita curiosidade em conhecer as aplicações das energias renováveis pois tinha sido incluído na disciplina de Física do ensino secundário um capítulo sobre energia solar. Ao mesmo tempo, estavam no auge os projectos “Ciência Viva” dinamizados pelos próprios professores, portanto foi logo planeado o interesse da SPES em dinamizar uma actividade dirigida ao público escolar.
Mas o que determinou realmente o seu arranque no formato de concurso escolar foi a observação e a divulgação na SPES pelo Prof. Collares Pereira, associado da SPES, que tendo participado no Congresso Mundial de Energia Solar em 2001, na Austrália, nos mostrou fotos de uma competição em pista com modelos de carrinhos movidos a energia solar fotovoltaica, construídos pelos alunos.
A parte mais longa desta história, levou cerca de dois anos a preparar e, foi concretizada através do interesse da iniciativa pública “Água Quente Solar para Portugal” para produzir o manual “Guia da Energia Solar”, que ainda se tem mostrado muito útil actualmente. A ter recebido um grande apoio por parte de muitos investigadores e técnicos do então INETI e ter interessado a Fundação da Ciência e Tecnologia (FCT) a financiar a iniciativa.
Câmaras Verdes - Enquanto mentor deste concurso, que balanço pode fazer das suas três edições? O que mudou em termos comportamentais?
David Loureiro - Julgo que ainda é cedo para fazermos o balanço do CSPH. O conceito inicial foi proposto desde o primeiro ciclo do ensino básico ao ensino secundário o que nos leva, após a primeira edição de 2004, a todos os níveis, muito experimental, a pensar que os alunos que tenham apresentado o seu protótipo de relógio de sol, possam agora estar a concluir o 12º ano. Supondo que o CSPH teve uma importância geracional, poderão os alunos que concluirem os seus estudos superiores, daqui a alguns anos, talvez, responder a essa questão.
O que costumo notar nos contactos com escolas, com professores e com responsáveis de entidades que colaboraram com a SPES nesta iniciativa, é que o CSPH é identificado como a actividade que deu a conhecer (melhor) o potencial da energia solar e que apresentou à sociedade a figura incontornável do Padre Himalya. O CSPH foi mesmo reconhecido pela Comissão Nacional da UNESCO, ao ter convidado a SPES para a conferência internacional realizada em Lisboa que lançou o importante programa da “Década da Educação para o Desenvolvimento Sustentável 2005-2014”.
Câmaras Verdes - Na sequência do CSPH e após três anos de interregno, como se traduz a aposta no Concurso Rali Solar?
David Loureiro - Não posso dizer que houve propriamente um interregno entre um projecto e outro, o que actualmente foi lançado com o mote “RALI SOLAR”. Tal como foi proposto na altura, a SPES queria lançar as bases para que as propostas das três edições do CSPH fossem úteis e inspiradoras para que as escolas se apropriassem do modelo e o continuassem, de forma adequada aos conteúdos programáticos de cada disciplina. E, nesse aspecto, o espírito do CSPH, se ainda se pode chamar, continuou e continua neste novo projecto. A expectativa de inscrições para a edição de 2010 está com mais de 300 equipas, de mais de 180 escolas, do continente, Madeira e Açores e uma possível explicação para esta grande adesão, pode estar no formato inspirador do CSPH. No entanto, o RALI SOLAR quer ultrapassar essa relação afectiva e inovar, com outros desafios – os biocombustíveis -, outras provas – uma pista com traçado internacional – e mais competitividade – duas provas de apuramento regional - e uma final nacional, no dia 15 de Maio, no Museu da Electricidade em Lisboa.
Câmaras Verdes - As escolas são o público-alvo de inúmeros projectos de sensibilização ambiental. Qual tem sido a abertura das autarquias a acolherem iniciativas neste âmbito e que benefícios podem retirar?
David Loureiro - Esta questão de participação ou de envolvimento autárquico, é intrínseca aos projectos de educação ambiental e de ensino experimental das ciências que se desenvolvem nas escolas que estão directa ou indirectamente sob a administração e responsabilidade dos Municípios. Os melhores exemplos são os mais recentes, quando a SPES foi convidada a colaborar na dinamização de actividades desenvolvidas em parceria com a entidade camarária, que através do programa Eco-escolas, quer através da dinamização com associações locais. Neste âmbito, são exemplos a dinamização das Corridas Solares realizadas com eco-escolas, em Oliveira de Azeméis (2006), em Pombal (2007), em Torres Vedras (2008) e em Santa Maria da Feira (2009). Intercalando, com estas iniciativas, foi também desenvolvido o formato de Grande Prémio Solar de Carrinhos, em Lagos (2007) em Sintra (2009), somado já para largas centenas os alunos, professores e técnicos, directamente ligados a estas iniciativas de verdadeira e aguerrida competição solar, onde se disputa a primazia da técnica, da estética, do desempenho, da aplicação multidisciplinar dos conhecimentos curriculares e do tão falado e actual empreendedorismo.
Câmaras Verdes - De que forma os municípios se podem articular com as actividades da SPES?
David Loureiro - Alguns municípios têm-se articulado com a SPES através das suas Agências Municipais de Energia e Ambiente e desta forma têm-se desenvolvido projectos de parceria ou a concretização de aspectos técnicos de determinadas tarefas.
Através do contacto com o conselho director da SPES, como associadas ou informalmente, podem ser apreciadas em conjunto com as equipas técnicas municipais, o conhecimento dos agentes no terreno ou a melhor forma de se planificar a implementação de determinadas tecnologias energéticas de fonte renovável de energia.
No que respeita à dinamização de objectivos ligados à promoção das energias renováveis, com destaque para a conversão da energia solar dirigidas à comunidade escolar, por exemplo nas efemérides do Dia Nacional da Energia – 29/Maio – o no dia Mundial do Ambiente – 5/Junho -, entre outros, a SPES pode utilizar a sua pista APOGEU, de carrinhos fotovoltaicos, e promover um Grande Prémio Solar (GPS) no município e servir de estímulo e de motivação para que alunos das escolas locais, de diferentes ciclos lectivos, juntem os seus projectos “a Energia Solar” e sirvam de exemplo na comunidade onde vivem.



