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Artigo de Opinião

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Veiculos Eléctricos: solução ou desafio? - Entrevista a José Manuel Roque, Director-Geral do Grupo Roques, Comércio de Veículos e Serviços, Lda.

 Fundado em 1971, o Grupo Roques tem a sua actividade centrada no comércio de viaturas e equipamentos para transportes. A aposta no mercado do ambiente surgiu há 10 anos e, embora ainda se encontre em fase de desenvolvimento, são várias as soluções inovadoras já propostas.

Câmaras Verdes - Há 40 anos no mercado, quando é que o Grupo Roques decidiu apostar na área do ambiente?

José Manuel Roque - A nossa actividade está dividida essencialmente em duas áreas: comércio e assistência a viaturas ligeiras; e viaturas pesadas e equipamentos, através da comercialização de semi-reboques para todos os tipos de transporte de mercadorias e de uma diversa gama de equipamentos para os mesmos.
Há dez anos, e tendo em conta um mercado que começava a dar os primeiros passos na área do ambiente, o interesse surgiu naturalmente. Procurávamos oportunidades de negócio que oferecessem vantagens do ponto de vista ambiental, investindo na comercialização/ representação de equipamentos que se enquadrassem numa postura ambientalmente mais responsável. Surge assim a subdivisão Roques Ambiente com a aposta nos veículos eléctricos quando ainda ninguém falava nisso em Portugal. Um esforço pioneiro que nos enche de orgulho.
À distribuição a nível nacional dos veículos ultraligeiros da gama profissional Mega juntou-se, há cerca de quatro anos, a comercialização de outros equipamentos especialmente dirigidos às autarquias, como os aspiradores urbanos.

Câmaras Verdes - Que inovação é que estas soluções trazem para o mercado do ambiente?

José Manuel Roque - Distinguem-se pelo seu avanço tecnológico, visível, por exemplo, através da redução significativa dos níveis de poluição sonora e atmosférica, bem como da sua capacidade de autonomia. Refiro-me, entre outros, aos aspiradores urbanos automotorizados, inovadores no que respeita à sua concepção de recuperação dos detritos e às inúmeras vantagens que representam para os agentes de limpeza urbana; à gama de lavadoras urbanas; aos diversos veículos eléctricos e também aos ultraligeiros, da gama profissional Mega, que permitem proceder às operações de deslocação e transporte sem poluir o ar, ao mesmo tempo que asseguram uma considerável poupança de consumo de energia.
A par destas soluções, há sensivelmente dois anos, o grande enfoque passou a estar nos veículos Columbia que possuem várias funcionalidades, entre as quais aplicações para cargas, descargas e manuseamento em fábricas, centros de distribuição (armazéns), entre outros.

Câmaras Verdes - A capacidade de autonomia destes equipamentos/ veículos continua a ser encarada como uma condicionante?

José Manuel Roque - Mesmo com limites de autonomia, a verdade é que a procura de veículos eléctricos (quadricípedes pesados eléctricos) é muito superior aos movidos a gasolina. Contudo, devo esclarecer que os equipamentos da Roques com uma capacidade de 8 horas de autonomia dirigem-se a um mercado muito específico pois justificam-se muito mais para uma autarquia ou distribuição, como por exemplo, de correio. Por isso, neste caso a autonomia pode ser considerada um falso problema. Sendo o objectivo a utilização por curtos períodos de tempo (horário de expediente) e em percursos relativamente reduzidos, estes veículos representam uma poupança de energia significativa, podendo ter as baterias carregadas durante a noite para no dia seguinte estarem novamente operacionais.

Câmaras Verdes - Como tem sido a receptividade do mercado e em especial das autarquias?

José Manuel Roque - O balanço é positivo, embora existam diferentes factores que contribuem para que os processos de decisão nem sempre sejam fáceis. Além do investimento que estes equipamentos/ veículos representam, as questões laborais no que se refere à substituição do homem pela máquina também se revelam factores delicados que dificultam a decisão.
No entanto, é agradável constatar que a iniciativa de apostar em equipamentos ambientalmente mais responsáveis tem partido das próprias autarquias, enquanto reflexo da aposta na adopção de medidas em prol do ambiente e preservação do património quando nos referimos a zonas históricas. Neste momento, temos cerca de 120 equipamentos a trabalhar em todo o país, distribuídos por diversas juntas de freguesia e cerca de 70 autarquias, das quais nos permitimos destacar Coimbra, Leiria, Ericeira, Santarém, Bombarral, Cadaval, Estarreja, Nisa, Lagos, Albufeira, Nazaré, Almada, Ponta Delgada, Ponte de Sor, entre outras.

Câmaras Verdes - Em que fase de desenvolvimento se encontra actualmente esta área de negócio e o que se perspectiva para o futuro?

José Manuel Roque - Esta actividade ainda só representa cerca de 10% do negócio global do Grupo Roques mas consideramos que estamos ainda numa fase de investimento. Contudo, acreditamos que é uma área com uma forte perspectiva de crescimento, pelo que continuaremos a apostar na descoberta de soluções inovadoras e o futuro passará também por uma crescente valorização do nosso serviço pós-venda enquanto factor diferenciador do negócio. Do ponto de vista social também é um grande desafio para a Roques.


Câmaras Verdes - O Grupo Roques tem uma política ambiental interna? Que projectos ou iniciativas dão visibilidade às preocupações ambientais da empresa?

José Manuel Roque - As preocupações ambientais existem de facto no seio do Grupo Roques enquanto actividade e manifestam-se de variadíssimas formas.
Em todas as instalações da empresa procura-se sobretudo beneficiar da luz natural. Foi feita, nos interiores das instalações e nos parques a substituição das lâmpadas tradicionais por lâmpadas de elevada poupança, instalados mecanismos de redução de consumo de água, recolha e separação de resíduos de diversas naturezas e diversas origens (alumínios, materiais ferrosos, peças de veículos ligeiros e pesados, filtros de óleo e ar, etc.) e também de pneus de ligeiros e usados recolhidos por empresas especializadas e certificadas, com quem mantemos contratos para o efeito. A reciclagem de consumíveis á também uma prática regular. Existem ainda sistemas de separação de óleos usados e periodicamente é feito o controlo das águas residuais enviadas para os sistemas de esgotos.

 

 

 


Actualizado em ( Quarta, 03 Março 2010 12:10 )
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