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Entrevista

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Artigo de Opinião

EM BREVE...

Neste espaço vamos ter novas ideias e reflexões sobre o estado do Ambiente...


Por um Bem Comum, a Floresta - Entrevista com o Eng.º Pedro Serra Ramos, presidente da Associação Nacional de Empresas Florestais, Agrícolas e do Ambiente (ANEFA)

 

A ANEFA é a única associação a nível nacional que representa os interesses dos prestadores de serviços do Mundo Rural. A celebrar 20 anos, a sua intervenção pauta-se pela procura de soluções que contribuam para a sustentabilidade da floresta. A recente integração na Direcção da European Network of Forest Entrepreneurs (ENFE) traz uma nova amplitude à sua missão.


Câmaras Verdes - A ANEFA, desde a sua criação, tem crescido, não só em termos de dimensão como de âmbito de actuação. Quais são as principais áreas de actividade da ANEFA e quantos são, hoje, os seus associados?

Pedro Serra Ramos - A ANEFA foi constituída em 1989, representando interesses de empresas de serviços técnicos, produção de plantas (viveiristas) e trabalhos florestais, agrícolas e de espaços verdes, englobando a comercialização de produtos.
A Associação tem presença assídua nos diferentes grupos de trabalho e junto das Instituições Oficiais, facto que nos permite intervir nas principais questões que respeitam às nossas áreas de intervenção, quer em defesa das empresas associadas, quer do Mundo Rural.
Actualmente, a ANEFA representa centenas de micro e PME´s, com um volume de emprego correspondente a 9.000 postos de trabalho permanente.

Câmaras Verdes - Quais as questões mais relevantes em que têm interferido, quer em defesa dos interesses das empresas associadas, quer da Floresta, Agricultura e do Ambiente?

Pedro Serra Ramos - A falta de sustentabilidade da floresta é uma realidade preocupante, e um ponto presente nas tomadas de posição da ANEFA, assim como o desinvestimento no sector e a subsídio-dependência. Por exemplo, defendemos que o Fundo Florestal Permanente, gerado através de um imposto aplicado aos combustíveis e pago por todos os contribuintes, devia ser directamente aplicado na Floresta, em arborização e manutenção, mas não o é.
A expansão do nemátodo da madeira do pinheiro é outra condicionante à falta de sustentabilidade. A interligação dos agentes é urgente, mas desde início que o plano de acção de combate à doença não contemplava o envolvimento dos prestadores de serviços, nem a definição de objectivos concretos de erradicação. Esta situação já levou à falência de muitas empresas com consequente aumento do desemprego local.
Outro problema é a inoperância do Programa de Desenvolvimento Rural, que se tem apresentado como a pior versão dos quadros de apoio, e cuja aplicação nada tem a ver com a realidade agrícola e florestal do país. As dificuldades de implementação têm consequências graves e num período de crise reconhecida, não se compreende que o nosso país não consiga aproveitar as ajudas a que tem direito, mesmo havendo por parte dos agricultores e proprietários vontade de o fazer.

Câmaras Verdes - As Jornadas da Floresta, que se realizaram no âmbito da comemoração dos 20 anos da Associação, são uma das faces visíveis das várias iniciativas promovidas pela ANEFA. Que aspectos mereceram especial atenção e que caminhos apontam a edição realizada em Maio?
Pedro Serra Ramos - Numa altura em que se reclama uma gestão florestal sustentável, deparamo-nos com dois inimigos: a falta de sustentabilidade e as alterações climáticas.
A manutenção da biodiversidade, a vitalidade dos povoamentos, e o aumento da eficiência das operações, são alguns desafios às soluções técnicas para o desenvolvimento da floresta que, ao longo dos anos, tem apresentado um recuo significativo.  Prova disso é que, à excepção do sobreiro, a floresta regrediu entre 1995 e 2006,  cerca de 11%.
Pragas e doenças como o Nemátodo têm contribuído para a degradação da floresta e afectam fortemente a economia. A esta problemática junta-se os incêndios, reveladores de números impressionantes como os 1.375.000 hectares que arderam de 2000 a 2005.
A questão que se coloca é o que ganha o Mundo Rural e o país com este procedimento?
A ANEFA acredita que o debate constituiu uma reflexão sobre o sector, mas é urgente que haja um ponto de viragem, com o apoio de produtores, prestadores de serviços, indústria e Estado. Uma liderança forte e uma coordenação de esforços por um bem comum, a floresta.

Câmaras Verdes - Com uma existência mais recente, estão os projectos ProNatura e Forural. A quem se dirigem e que objectivos estão subjacentes à sua criação? Que resultados são possível apresentar já para cada um dos projectos?

Pedro Serra Ramos - O objectivo do ProNatura é contribuir para a conservação da natureza, visando diminuir os impactos negativos causado pelos incêndios florestais, e a conservação do solo, água, fauna e flora. Em simultâneo, através da promoção de acções de plantação, pretende-se corrigir os defeitos da recuperação de áreas ardidas, apenas pela regeneração natural sem condução silvícola adequada.
Para nós é motivo de orgulho dizer que em 6 anos de projecto, ajudámos a plantar mais de meio milhão de árvores.
O Fórum dos Produtos & Serviços Agro-florestais – FORURAL, surgiu da necessidade de centralizar as oportunidades que o Meio Rural oferece, com base no grau de exigência e competitividade do mercado, quer ao nível da qualidade dos produtos e serviços, como da conservação e melhoria dos recursos naturais.
O objectivo é promover as empresas, valorizar os seus produtos e serviços, garantindo um trabalho especializado e tecnicamente competente, respondendo de modo eficaz mediante os objectivos de cada cliente.

Câmaras Verdes - A ANEFA acaba de aceitar o desafio de integrar a Direcção da Rede Europeia de Empresários Florestais. Que responsabilidades acrescidas lhe traz esta integração?

Pedro Serra Ramos - A ANEFA sempre teve uma participação activa na Rede Europeia de Empresários Florestais. Desde que integrámos a organização, em 2007, que consideramos que este era um apoio importante e uma porta aberta para a internacionalização do mercado.

Câmaras Verdes - Para a ENFE, que áreas merecem uma maior preocupação e emergência de actuação?

Pedro Serra Ramos - Qualquer estrutura europeia tem como objectivo a representação a um nível superior, dos interesses nacionais de cada membro. “Lobby” é por isso fundamental.
No entanto, a Rede Europeia de Empresários Florestais pretende ainda desenvolver competências ao nível da investigação, desenvolvimento e formação, participando em projectos que poderão ser indicadores de melhoria em termos de aperfeiçoamento da execução das operações florestais, condições de trabalho e
desenvolvimento rural. Espera-se depois que a rede dissemine essa informação para que possa funcionar como ferramenta de trabalho.

Câmaras Verdes - Que resultados poderão os Associados esperar desta nova direcção da ENFE?

Pedro Serra Ramos - Os novos objectivos são reforçar o reconhecimento dos empresários florestais europeus e contribuir para o quadro político, viabilizando a sustentabilidade das empresas.
É importante promover a transferência de conhecimentos dos resultados da investigação, para o terreno, envolvendo os empresários nestes projectos.
Outro aspecto a melhorar é a promoção das operações transfronteiriças e a qualificação dos trabalhos e serviços.

Câmaras Verdes - O que poderá ainda ser feito para cativar uma maior adesão de associados?

Pedro Serra Ramos - Acreditamos que a modernização do mundo rural passa pelo recurso às empresas, com capacidade técnica para responder aos diferentes desafios, permitindo uma maior racionalidade dos recursos e garantindo maior produtividade.
É importante reter que uma organização tem mais força se tiver uma estrutura significativa e isso reflecte-se no número de membros da Associação. O peso institucional é importante para que se tenha uma voz mais activa. 
Além disso, é de relembrar que as conquistas da ANEFA são em prol do sector e não só dos seus associados. Todas as empresas acabam por ser representadas pela ANEFA, que é a única associação a nível nacional que apresenta os prestadores de serviços ao mundo rural.
Como exemplo temos a redução do IVA para 5% em muitos dos serviços florestais, e a aplicação do gasóleo verde em maquinaria florestal. Estas foram lutas ganhas pela ANEFA, mas que favorecem todos os agentes do sector.
Por outro lado, a ANEFA está cada vez mais envolvida com os agentes europeus das áreas que representa. A ENFE como já referimos apresenta as empresas florestais, mas a ANEFA está igualmente filiada na CEETTAR - Confederação Europeia das Empresas Técnicas de Trabalhos Agrícolas e Rurais, sendo um apoio importante para as empresas que operam na área agrícola. Uma nova aposta, é a futura adesão à ELCA – Associação Europeia de empreiteiros de jardinagem e espaços verdes, exactamente por entendermos que a área de paisagismo é cada vez mais uma oportunidade, quer para as empresas enquanto mercado, quer para a ANEFA enquanto representante.


Actualizado em ( Quarta, 09 Dezembro 2009 11:34 )
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