
Responsável pela gestão dos resíduos de embalagens e medicamentos fora de uso, a Valormed tem como missão fazer da separação uma rotina dos portugueses. Para tal, têm sido criadas novas plataformas de comunicação e de sensibilização da população com enfoque especial nos mais jovens, os “eco-conselheiros” da família. Acções que já evidenciam uma crescente consciência ambiental, como nos refere o Dr. José Carapeto, Director-Geral da Valormed.
Câmaras Verdes - Que balanço é possível fazer de uma década de actividade da Valormed?
José Carapeto - É um balanço bastante positivo, com a população cada vez mais informada e entregando nas farmácias as embalagens e medicamentos que por uma ou outra razão deixaram de usar. Os resultados expressam essa evolução positiva, pois das 98 Toneladas de resíduos de embalagens e medicamentos recolhidas em 2000, evoluímos para as 703 toneladas recolhidas em 2008.
Câmaras Verdes - Qual a importância de um sistema integrado de embalagens e medicamentos fora de uso?
José Carapeto - As vantagens deste sistema diferenciado de recolha de resíduos são bastante relevantes. Em primeiro lugar porque ao serem enviados para reciclagem todos os resíduos passíveis de reutilização, retiram-se dos aterros sanitários centenas de toneladas de resíduos de embalagens de medicamentos potencialmente contaminantes. Por outro lado, os resíduos não recicláveis são objecto de valorização energética, em alternativa à simples eliminação em aterros sanitários que é ainda a forma mais usual de tratamento dos RSU. Finalmente e não menos importante, fazendo-se a separação através de um tapete de triagem dedicado a este tipo de resíduos, retiram-se dos tapetes de triagem comuns embalagens com resíduos de medicamentos, eliminando-se a manipulação de tais embalagens, com riscos da sua utilização indevida.
Câmaras Verdes - Qual o destino final destes resíduos, quer das embalagens, quer dos medicamentos?
José Carapeto - No processo de triagem, as embalagens são separadas dos restos de medicamentos. As embalagens são enviadas para reciclagem, mas os medicamentos são objecto de valorização energética.
Câmaras Verdes - A Valormed assinou recentemente um protocolo com a Quercus. Qual o âmbito e objectivos desse acordo?
José Carapeto - O Protocolo celebrado com a Quercus tem por objectivo o desenvolvimento de acções conjuntas para maior sensibilização das populações para boas práticas ambientais e, em particular no que se refere aos procedimentos de entrega nas farmácias de embalagens de medicamentos usados.
Câmaras Verdes - As escolas são claramente um público-alvo de projectos de sensibilização da Valormed. Qual tem sido a abertura das autarquias a acolherem esta iniciativa e que benefícios daí podem retirar?
José Carapeto - Procuramos efectivamente sensibilizar os alunos do 1º Ciclo para o nosso sistema de recolha de embalagens de medicamentos, pois sabemos que os jovens são os “eco-conselheiros” na família e passarão a nossa mensagem aos pais. Durante todo este período contactámos com cerca de 50.000 alunos, e nestes últimos anos estamos a fazê-lo com sucesso através de parcerias com câmaras municipais que nos facilitam os contactos e junto das escolas do município. Fizemo-lo já com mais de 50 municípios, que através dos Senhores Presidentes de Câmara e vereadores do Ambiente, com quem temos tido uma excelente colaboração, além evidentemente dos professores dessas escolas sem o apoio dos quais este Projecto não seria viável.
Câmaras Verdes - Que papel atribui às Farmácias enquanto pontos de recolha e potenciais fontes de sensibilização da população?
José Carapeto - As Farmácias são o “rosto” da VALORMED junto do público, com os seus 2.750 locais de recolha (farmácias aderentes) em todo o país, assegurando não só essa recolha mas desenvolvendo igualmente acções de aconselhamento e sensibilização junto dos utentes. O papel dos profissionais de saúde que trabalham nas farmácias comunitárias tem sido de enorme importância para o desenvolvimento da actividade da VALORMED. A credibilidade do seu aconselhamento constitui um factor relevante para a alteração de comportamentos ambientais dos utentes, abandonando progressivamente o hábito de colocar embalagens vazias ou com medicamentos no lixo comum.
Câmaras Verdes - O que é que ainda pode ser feito para melhorar a adesão da população à deposição destes resíduos?
José Carapeto - Está a decorrer um estudo junto das populações e dos farmacêuticos para recolhermos informação sobre o grau de percepção e conhecimento das pessoas do nosso sistema de recolha, para tirarmos conclusões sobre a melhor maneira de comunicarmos, por forma a aumentarmos o nível de adesão. Mas estamos certos que há um caminho longo a percorrer no âmbito da informação das pessoas para boas práticas ambientais, e que terá de ser feito não apenas pelas sociedades gestoras de resíduos mas por todas as entidades, desde câmaras municipais até às próprias entidades governamentais.



