
Entrevista ao Vereador e Presidente do Conselho de Administração dos Serviços Municipalizados de Água e Saneamento, Francisco do Vale Antunes - O Ambiente é assumido como uma das temáticas prioritárias da autarquia de Vila Franca de Xira pela dimensão que ganhou nos últimos 10 anos. Uma aposta traduzida na criação de um Departamento de Qualidade Ambiental e no forte investimento que tem vindo a ser realizado nesta área, visível pelo número de projectos que têm vindo a ser implementados.
Câmaras Verdes – O Plano Director Municipal (PDM) de Vila Franca de Xira está na fase final do seu primeiro processo de revisão, tendo sido realizada a primeira Avaliação Ambiental Estratégica para o concelho. Quais os principais resultados que destacaria desta análise estratégica orientada para a avaliação da sustentabilidade ambiental da implementação do Plano?
Francisco do Vale Antunes – A Avaliação Ambiental Estratégica veio dar um contributo fundamental à sustentabilidade ambiental do modelo de ordenamento adoptado pela revisão do PDM, que se traduziu, entre outros, nos seguintes factores: na implantação de energias alternativas e renováveis no espaço rural; na definição das condições para a recuperação e reciclagem de resíduos (ecopontos, unidade de triagem); na redução de emissões de dióxido de carbono, particularmente nos espaços florestais através de projectos florestais sustentáveis com o objectivo de contribuir de forma sustentada para a revitalização do espaço rural; na articulação entre a Estrutura Ecológica Urbana, Reserva Agrícola Nacional e Reserva Ecológica Nacional, estabelecendo um continuum naturale contribuindo para a coerência ecológica da rede fundamental de conservação da natureza. Foram também identificadas várias linhas para o desenvolvimento de Vila Franca de Xira, tais como reestruturar e controlar a expansão urbanística e industrial, aumentar e desenvolver as valências turísticas, salvaguardar os valores naturais e patrimoniais sensíveis e melhorar a mobilidade e a acessibilidade.
Câmaras Verdes – Que papel representa o Programa de Educação Ambiental no cumprimento do PDM e quais as áreas mais dinamizadas?
Francisco do Vale Antunes – O Programa de Educação Ambiental do Município de Vila Franca de Xira – PREDAMB – já conta com catorze anos de execução e tem como grande missão apelar à participação activa de todos os cidadãos, na certeza de que agindo localmente está a dar o melhor contributo para a resolução de problemas globais, que a todos nós dizem respeito. Neste âmbito foram definidos como principais objectivos desenvolver projectos de sensibilização e educação ambiental dirigidos à população em geral mas com especial incidência nas crianças e jovens, procurando melhorar a sua formação e sensibilidade para as questões ambientais; e apoiar projectos dinamizados pelas escolas e/ou outras instituições. Com o objectivo de sensibilizar a comunidade escolar para as temáticas dos Resíduos Sólidos Urbanos e da Sustentabilidade, preparou-se para o ano lectivo 2008/2009, um programa constituído por seis projectos. Independentemente deste programa, os técnicos do PREDAMB estão receptivos a desenvolver acções de sensibilização, com carácter pontual, também nas escolas, na área da Energia, Resíduos Sólidos Urbanos e Sustentabilidade. Paralelamente, o PREDAMB desenvolve actividades no município no âmbito de diversas comemorações com temáticas ambientais, tais como o Dia Mundial da Árvore e da Floresta, da Água, da Terra, do Ambiente, Dia Europeu Sem Carros, entre outros.
Câmaras Verdes – Outro processo que tem decorrido é a Agenda 21 Local, tendo sido publicado, no âmbito da sua implementação, um Manual de Boas Práticas Ambientais. Qual o objectivo deste manual? Como tem sido a adesão dos munícipes às acções desenvolvidas pela Agenda 21?
Francisco do Vale Antunes – O Manual de Boas Práticas Ambientais foi editado com o objectivo de divulgar, junto dos munícipes e do público em geral, uma série de comportamentos que visem a sustentabilidade da sua acção, encarando as pequenas contribuições individuais como a base das mudanças globais necessárias ao futuro da humanidade e do seu enquadramento ecológico. O manual propõe medidas que permitem poupar e melhorar a qualidade da água, poupar energia, gerir mais eficazmente os resíduos, melhorar a mobilidade e o uso dos transportes, proteger a biodiversidade e melhorar os hábitos de consumo. A versão em papel já está a ser disponibilizada junto das escolas e outras instituições do concelho. Qualquer cidadão poderá, no entanto, aceder a este documento, através do site da Câmara Municipal. Ainda no âmbito do processo da Agenda 21 Local foi concluído o Relatório Final do “Exame Integrado das Funções de Base dos Compromissos de Aalborg”, disponível on-line, um documento de diagnóstico que reflecte a situação do concelho, projectos realizados e aponta algumas direcções a tomar. Este diagnóstico foi realizado tendo em conta a auscultação aos diversos serviços da Câmara Municipal e aos Presidentes das onze Juntas de Freguesia do Concelho. Promovemos a realização da 1.ª Pedalada pelo Ambiente, que consistiu num passeio de bicicletas, através do qual se pretendeu sensibilizar a população em geral para a utilização de transportes alternativos não-poluentes, promover a prática do exercício físico e combater o sedentarismo, envolvendo a população do concelho nesta temática ambiental, rumo ao desenvolvimento sustentável. Paralelamente, tem vindo a ser efectuado por vários munícipes o preenchimento de um inquérito disponível no site da autarquia, no separador destinado à A21L, partilhando a sua visão do concelho. Posteriormente, será dado início a uma nova fase no processo de A21L, a qual passará pelo incremento de processos de participação pública. Serão definidos objectivos e procurar-se-á concretizar acções que visem a melhoria da situação existente nas áreas económica, sociocultural e ambiental. Os processos previstos de participação pública, culminarão com a elaboração de um Plano de Acção, comportando propostas presentes no Plano Estratégico Concelhio, Plano Estratégico de Ambiente, Estudos de Mobilidade e Plano de Acção Social do município, bem como outras propostas que os actores locais possam propor.
Câmaras Verdes – O Plano Estratégico do Ambiente é outro dos documentos que ilustra a importância dada à componente ambiental na gestão do concelho. Quais os objectivos que se espera virem a ser concretizados com a aplicação das acções propostas?
Francisco do Vale Antunes – O Plano Estratégico do Ambiente (PEA) encontra-se na 2.ª Fase e está também disponível on-line no site da Autarquia. Teve a sua versão final em Outubro de 2007, depois de um processo intensamente participado, tendo sido aprovado em Reunião de Câmara a 7 de Novembro de 2007. O objectivo central da actuação estratégica que enforma o PEA é a evolução do concelho em direcção à sustentabilidade ambiental. O objectivo pretendido foi traduzido nas seguintes grandes linhas de acção: reordenamento e requalificação do território concelhio, incidindo sobre os espaço: urbano, industrial e natural; melhoria das acessibilidades; implantação de infra-estruturas de tratamento de águas residuais; requalificação das linhas de água; estrutura verde contínua; sensibilização e formação da população do concelho.
Câmaras Verdes – Recentemente, a autarquia noticiou a colocação de mais uma estação de monitorização da qualidade do ar. A avaliação do estado da qualidade do ar é a prioridade do concelho em termos da garantia da qualidade de vida dos seus munícipes?
Francisco do Vale Antunes – Sim, foi instalada em Alverca do Ribatejo, uma estação de monitorização da qualidade do ar, inserida na Rede Nacional de Monitorização da Qualidade do Ar e no âmbito de uma parceria entre a Câmara Municipal de Vila Franca de Xira e a CCDR-LVT. A instalação deste equipamento – que entrou em funcionamento no final de 2008 – é por nós considerada de grande importância, face à diversidade das fontes emissoras de poluentes atmosféricos presentes no concelho e/ou na sua envolvente, nomeadamente o facto de ser atravessado pela A1 e EN10, a existência de diversas unidades industriais. Os dados dos poluentes (monóxido de carbono, dióxido de enxofre, óxidos de azoto, ozono e partículas PM10) são medidos diariamente e disponibilizados no site da Agência Portuguesa de Ambiente (num link específico sobre qualidade do ar – www.qualar.org), sob a forma de concentrações médias horárias e de um índice de qualidade do ar, sendo esta informação actualizada várias vezes ao dia.
Câmaras Verdes – Encontra-se actualmente em revisão o Plano Regional de Ordenamento do Território da Área Metropolitana de Lisboa. Que questões julgam ser relevantes resolver com este Plano que possam vir a influenciar positivamente a qualidade do ambiente em Vila Franca de Xira?
Francisco do Vale Antunes – As questões ambientais abrangidas pelo PROT-AML estão directamente relacionadas com o Rio Tejo. É objectivo da autarquia (e já se encontra reflectido na proposta de revisão do PDM), continuar a revitalizar a frente ribeirinha dando à população a oportunidade de desfrutar de uma zona ribeirinha qualificada, como é o exemplo do caminho pedonal que hoje já liga Alhandra a Vila Franca de Xira e que faz parte do quotidiano de milhares de pessoas que o utilizam para a prática desportiva ou, simplesmente para lazer, individual ou colectivamente. Por outro lado, e decorrente da Rede Ecológica Metropolitana, a implementação dos corredores ecológicos, irá permitir trocas de energias entre sistemas ecológicos diferentes, garantindo a sua consistência e sustentabilidade em articulação com o edificado existente. As questões de conflito com o PROT-AML estão directamente relacionadas com as áreas edificadas existentes e os corredores ecológicos estabelecidos pela Rede Ecológica Metropolitana. Por via disso, temos que encontrar um ponto de equilíbrio entre o existente e os corredores, qualificando os espaços edificados em harmonia com as directrizes do PROT-AML, que, por seu lado, deve ter em consideração a ocupação actual do território.



