
Por ocasião da comemoração do Dia Mundial da Terra (22 de Abril) foram várias as entidades públicas e privadas que dinamizaram iniciativas e divulgaram informação sobre o que de melhor se tem feito ao nível da protecção do Ambiente e, consequentemente, do Planeta Terra. Para assinalar este dia, destacamos nesta rubrica o estudo divulgado pela Sociedade Ponto Verde, ilustrativo da prática da reciclagem em Portugal: os objectivos alcançados e as perspectivas futuras para alcançar um melhor desempenho ambiental no sector dos resíduos.
Sessenta e três por cento dos Portugueses declaram separar o lixo doméstico/embalagens usadas. Mas destes apenas doze por cento reconhecem separar a totalidade dos resíduos (vidro, embalagens e papel). Estas são as principais conclusões de um estudo realizado pela Intercampus para a Sociedade Ponto Verde (SPV). Dos 619 agregados familiares inquiridos, cinquenta e um por cento admitem separar apenas parcialmente os resíduos de embalagens, segundo o estudo “Atitudes e comportamentos em relação à separação de lixo/embalagens usadas”, realizado pela Intercampus para SPV em 2007. As embalagens de metal contam-se entre os resíduos menos separados pelos portugueses. Entre as desvantagens ou problemas identificados pelos separadores parciais contam-se dificuldades logísticas e operacionais (relacionadas, por exemplo, com a dimensão e custo dos recipientes ou a inexistência de sacos próprios) – setenta e cinco por cento; disfuncionalidades na concretização do processo em si (distância e condições dos ecopontos) – dezanove por cento; e a necessidade de excessivo trabalho extra (dezanove por cento). Não obstante, na maioria dos casos a reciclagem já é vista como um acto de civismo e essencial para a qualidade do ambiente. Uma das diferenças mais notórias entre separadores totais (aqueles que separam a totalidade do lixo) e separadores parciais (separam apenas parte do lixo) reside, nomeadamente, no facto de os primeiros disporem de recipientes próprios e adequados para depósito dos diferentes tipos de lixo/embalagens usadas. Enquanto os separadores totais separam tendencialmente melhor, os separadores parciais acabam por conjugar num recipiente improvisado resíduos que não deveriam ser passíveis de mistura.Entre os principais factores de resistência à prática da reciclagem identificados contam-se factores como a residência numa zona isolada e um baixo ou médio baixo estrato sócio - económico. A maior adesão à separação de resíduos domésticos verifica-se junto das famílias de classes alta e média-alta, principalmente as que têm famílias com crianças de idade inferior a catorze anos.
Os não-separadores invocam sobretudo a falta de recipientes próprios (setenta e um por cento), o «excessivo trabalho» associado à prática (quarenta e oito por cento) e a distância dos ecopontos (trinta be seis por cento). Por sua vez, as motivações para passarem a reciclar consistem na oferta de um ecoponto doméstico (cinquenta e sete por cento), a recolha porta-a-porta (trinta e seis por cento) e o receberem uma quantia simbólica (vinte e dois por cento).
No âmbito da variável “região”, o estudo revela que não há diferenças significativas ao nível das práticas de reciclagem. Contudo, são as famílias que vivem nas regiões mais densamente povoadas aquelas que tendencialmente fazem a separação dos resíduos.
Quanto ao tipo de resíduos mais separados, destacam-se as garrafas, frascos e boiões de vidros com uma taxa de separação de noventa e cinco por cento. Em segundo lugar, estão os jornais e revistas com noventa e dois por ceto. Os resíduos menos separados integram-se na categoria metal: nomeadamente as latas de bebidas (quarenta e seis por cento), as couvettes de metal de comida feita ou pré-cozinhada (trinta e quatro por cento) e as latas de conservas (vinte e três por cento). As embalagens de iogurtes (vinte e oito por cento) e bases de esferovite para alimentos (desassete por cento) são outros dos resíduos que os inquiridos menos separam.



