Já são conhecidas as quatro autarquias finalistas do concurso ‘Ideias para o ar, por um projecto para ficar’, lançado pela Fundação Galp Energia, em parceria com a Agência Portuguesa do Ambiente. Obedecendo ao tema da Semana Europeia da Mobilidade deste ano – Melhoremos o Ambiente na Cidade, este concurso foi destinado a todas as autarquias do país, desafiando-as a desenvolverem projectos que promovam uma mobilidade urbana mais sustentável.
Almada, Lisboa, Torres Vedras e Vila Real foram as autarquias apuradas, entre os 19 projectos que estiveram a concurso. Estes projectos foram seleccionados por terem potencial para, de forma permanente e eficiente, contribuírem da melhor forma para a qualidade atmosférica da cidade, explorando a questão da mobilidade urbana numa vertente de sustentabilidade e garantindo uma optimização de recursos já existentes.
A Câmara de Almada concorreu com o projecto “Bicla Tejo”, um percurso com articulação entre a ligação fluvial Belém-Trafaria e o corredor de ciclovia, localizado entre a Trafaria e a Costa da Caparica. Apesar de ter a sua inauguração marcada para o dia 17 de Setembro, este projecto carece ainda de equipamento que vai potenciar a adesão de mais utilizadores, nomeadamente, estacionamentos de bicicletas no interior do cais fluvial de Cacilhas, dentro das instalações da Transtejo, com videovigilância, para quem quer aqui deixar as suas bicicletas e seguir de barco; sinalização vertical e horizontal que facilite a sua funcionalidade; totens de informação sobre os vários eixos cicláveis e sinalética para orientação.
Na proposta apresentada, a autarquia de Lisboa pretende introduzir na cidade o conceito de Zona 30, já amplamente divulgado na Europa e que vai incidir, numa primeira fase, no Bairro Azul. Este conceito baseia-se na criação de zonas de acalmia de tráfego, normalmente associadas a bairros residenciais e/ou com intensa actividade comercial, de forma a privilegiar a mobilidade pedonal e ciclável. Assim, o objectivo é transformar o Bairro Azul numa Zona Mista, ou seja, num espaço de primazia para o peão que, não obstante, permita a circulação automóvel a velocidade compatível, o estacionamento dos residentes e utilizadores daquele espaço e o acesso às garagens existentes.
A Câmara de Torres Vedras propõe a construção de uma rede de ciclovias urbana, composta por percursos que coincidem em alguns pontos com as ciclovias já existentes na autarquia, e ainda com um troço da EN 9. Garante-se assim a articulação entre infraestruturas já existentes e novos troços cicláveis propostos.
O projecto apresentado por Vila Real prevê a intervenção em pavimentos já existentes para melhorar condições pedonais e cicláveis. Pretende executar uma ligação pedonal entre a cota alta da cidade e a cota baixa, que permitirá vencer um desnível de 60 metros, através da criação de um corredor ambiental ao longo do qual se eliminará escadas, criando-se rampas em substituição, se alterarão pavimentos, se reformulará a iluminação pública e se instalará mobiliário urbano e sinalização adequada, entre outras medidas. Desta forma, promove-se a utilização dos modos de mobilidade alternativos, como o pedonal e a bicicleta, que seguem um traçado mais curto e perpendicular aos grandes eixos viários.
As apresentações dos quatro projectos finalistas estão disponíveis no site www.galpenergia.com para passarem pelo crivo da população, que terá oportunidade de votar no que mais lhe agradar. Vencerá o projecto que mais votos receber, sendo condição para a recepção do prémio, no valor de 50 mil euros, a sua utilização na implementação prática do projecto na cidade vencedora.
Desta forma, o concurso promove o envolvimento de todos – entidades públicas locais e população – quer através de ideias, quer através de um voto para uma mobilidade urbana mais positiva.



